Os empregadores portugueses antecipavam um segundo trimestre de 2026 marcado por um reforço das contratações. De acordo com o mais recente ManpowerGroup Employment Outlook Survey, realizado antes do agravamento das tensões no Médio Oriente, a Projeção para a Criação Líquida de Emprego em Portugal situava-se nos +29%, revelando uma subida de oito pontos percentuais face ao primeiro trimestre do ano e de dez pontos face ao mesmo período de 2025.
Os dados, recolhidos em janeiro junto de 520 empregadores, apontavam para um clima de confiança entre as empresas, refletindo o desempenho da economia portuguesa em 2025, acima da média da Zona Euro. No contexto global, Portugal posicionava-se na metade superior dos países analisados, ainda que ligeiramente abaixo da média mundial de +31%.
As conclusões do estudo, contudo, não incorporam os desenvolvimentos geopolíticos mais recentes nem os efeitos das tempestades que atingiram o país no início do ano, fatores que poderão alterar as expectativas das empresas nos próximos meses.
Segundo Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal, os indicadores apontavam para um cenário favorável antes da escalada de tensões internacionais.
«Partindo de uma análise pré-conflito, os empregadores portugueses entravam no segundo trimestre mais confiantes nas suas intenções de contratação, refletindo o desempenho da economia nacional e sinais de maior resiliência nos mercados internacionais parceiros», explica. Ainda assim, o responsável admite que a atual incerteza geopolítica poderá afetar o nível de confiança das empresas, embora a experiência recente tenha reforçado a capacidade das organizações para operar em contextos voláteis.
Crescimento das empresas impulsiona contratações
Quase metade das empresas que previam aumentar as suas equipas — 44% — indicavam o crescimento do negócio como principal motivo para contratar mais trabalhadores.
Outras razões apontadas pelos empregadores incluíam a necessidade de preencher vagas que permaneceram abertas em trimestres anteriores: 27% referiam postos não ocupados no trimestre anterior e 20% indicavam vagas por preencher há mais tempo, um sinal da persistência da escassez de talento no mercado de trabalho português.
Entre as empresas que previam reduzir o número de colaboradores, as principais justificações eram a diminuição da procura (31%), os desafios económicos (29%) e processos de reestruturação ou downsizing (21%). O impacto da automação foi referido por 15% dos empregadores, registando uma queda significativa face ao trimestre anterior.
Construção e imobiliário lideram otimismo
Todos os setores analisados apresentavam perspetivas positivas de contratação para o segundo trimestre de 2026. O setor da Construção e Imobiliário destacava-se como o mais otimista, com uma projeção de +46%, representando o maior crescimento entre trimestres, com uma subida de 26 pontos percentuais.
Seguiam-se o Comércio e Logística, com +34%, e a Hotelaria e Restauração, com +33%, refletindo também o efeito da sazonalidade e da aproximação da época turística.
O setor industrial apresentava igualmente intenções robustas de contratação, com uma projeção de +31%, mantendo-se estável face ao primeiro trimestre e crescendo seis pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025.
Em sentido contrário, o setor de Finanças e Seguros era o único a registar uma desaceleração, apesar de manter uma previsão positiva de +26%, menos 12 pontos percentuais face ao trimestre anterior.
Entre os restantes setores, destacavam-se ainda Tecnologia e Serviços de Informação (+20%) e o setor público e de serviços de saúde e sociais (+17%). Dentro da área tecnológica, o subsegmento de Tecnologia e Serviços de IT apresentava as perspetivas mais otimistas de todos os setores analisados, com uma projeção de +50%.
Centro e Norte com expectativas mais fortes
A análise regional mostrava intenções de contratação positivas em todo o país. A Região Centro liderava as expectativas, com uma projeção de +37%, seguida pela Região Norte (+32%) e pelo Grande Porto (+31%).
O Grande Porto registava mesmo a subida mais expressiva face ao trimestre anterior, com um aumento de 18 pontos percentuais. Já a Região Sul apresentava uma projeção de +30%, após um crescimento de sete pontos face ao início do ano.
PME mais confiantes do que grandes empresas
As médias empresas eram as que demonstravam maior otimismo em relação ao reforço das equipas, com uma projeção de +36%, um aumento significativo tanto face ao trimestre anterior como ao período homólogo de 2025.
Também as pequenas empresas revelavam intenções fortes de contratação, com +33%, registando o maior crescimento trimestral entre todos os segmentos empresariais.
Em contraste, as grandes empresas apresentavam previsões mais cautelosas: as organizações com 1000 a 4999 trabalhadores projetavam +16%, enquanto as empresas com mais de 5000 trabalhadores apontavam para +12%.
Perspetivas globais continuam a melhorar
A nível mundial, a projeção líquida de criação de emprego para o segundo trimestre de 2026 fixava-se nos +31%, traduzindo uma melhoria de sete pontos percentuais face ao trimestre anterior e de oito pontos em relação ao mesmo período do ano passado.
Na Europa, a tendência era igualmente positiva, com a projeção a atingir +21%, no quarto trimestre consecutivo de recuperação, ainda que abaixo de outras regiões do mundo devido ao crescimento económico mais moderado.
O estudo trimestral do ManpowerGroup baseia-se em entrevistas a 41.764 empregadores em 42 países e territórios. A próxima edição será divulgada em junho de 2026 e apresentará as previsões de contratação para o terceiro trimestre do ano.


