Portugal está em risco devido ao abalo na confiança dos investidores, alerta a Moody´s

A agência de rating Moody’s considera que estados da Zona Euro, como Portugal, com elevada exposição económica à atual crise, margem orçamental limitada, restrições institucionais e grandes necessidades de refinanciamento, estão particularmente em risco devido ao abalo na confiança dos investidores.

Segundo a agência de notícias Lusa, o relatório divulgado alerta que “os riscos de crédito são mais elevados em Itália, Chipre, Espanha e Portugal devido à sua elevada exposição económica à crise, juntamente com a margem orçamental mais limitada”, prevendo que a recuperação económica do impacto da pandemia na Zona Euro será lenta, desigual e frágil e a estabilização da dívida soberana constituirá um desafio político crítico.

Contudo, “a política monetária de apoio do Banco Central Europeu (BCE) e a sua contínua vontade de “fazer o que for preciso” para evitar uma crise renovada das dívidas soberanas da Zona Euro continuarão a desempenhar um papel fundamental na manutenção da confiança e na manutenção dos custos de financiamento governamentais baixos”, destaca a Moody´s Investors Service.

A Moody´s refere ainda que “as perspetivas negativas de 2021 para a solvabilidade da dívida soberana da Zona Euro refletem a significativa incerteza económica e fiscal da região ligada ao choque da pandemia”, adiantando que “perspetivas de crescimento frágeis, juntamente com apelos aos decisores políticos para apoiarem uma recuperação inclusiva, colocarão desafios significativos à consolidação orçamental e estabilização da dívida este ano.”

“A pandemia do novo coronavírus desencadeou uma profunda recessão na Zona Euro em 2020 e levou a um aumento acentuado dos rácios da dívida pública”, disse Steffen Dyck, Vice-Presidente da Moody’s – Senior Credit Officer e autor do relatório, considerando que “indicadores robustos de acessibilidade da dívida atenuaram o impacto negativo de um maior endividamento, limitando as implicações de rating até à data.”

A Moody’s prevê uma recuperação do crescimento real do PIB para 4,6% em 2021, após a esperada contração acentuada de 7,7% em 2020, apoiada por efeitos de política orçamental e monetária expansionista, resultando em baixas taxas de juro e acesso ao crédito tanto para as famílias como para as empresas.

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