“Portugal Resiliente”: “Precisamos de líderes transformacionais” na administração pública

No quarto evento do ciclo de conferências “Portugal Resiliente”, que decorreu esta semana na plataforma Zoom, o tema em cima da mesa foi a agilidade das nossas instituições para responderem de forma atempada, célere e eficaz às ameaças que vão surgindo, nomeadamente às crises que ninguém consegue prever.

A questão lançada pela organização do evento, integrado no Portugal Agora, projeto criado por cidadãos para encontrar propostas concretas para o nosso país e para as próximas décadas, focou a agilidade da administração pública, ou seja, como aumentar a resiliência das organizações do Estado.

Antes de mais, “precisamos de líderes para servir e transformacionais” disse João Carvalho das Neves, professor Catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa. É que na opinião deste académico, que durante alguns anos trabalhou na administração pública, para mudar a tecnologia e o ambiente é necessário antes de tudo mudar a cultura. E para isso temos de ter líderes transformacionais.

“As falhas que temos na liderança na administração pública são devidas ao facto de os responsáveis tratarem os desafios adaptativos como problemas técnicos” quando são desafios humanos. Enquanto não houver uma mentalidade diferente entre o pessoal da função pública, Carvalho das Neves não tem dúvida que as coisas não irão passar a funcionar de outra forma.

“Não podemos pensar em ter empresas e uma administração pública resiliente se não tivermos pessoas resilientes.” E para isso temos de ter um quadro de pessoal mobilizado. Ora, o problema é que esse quadro de pessoal está “completamente desgastado.”

A sociedade está desgastada – o consumo de ansiolíticos nos últimos cinco anos subiu muito – agora com a pandemia está num nível ainda mais alto e, além disso, “as pessoas não mudam”, defendeu o professor. Portanto, sublinha, “não adianta montar grandes sistemas nas organizações se as pessoas não têm a capacidade de acompanhar.”

No debate IV Web-Conference “Portugal Resiliente: Maior Agilidade Institucional” participaram também o professor universitário Guilherme W. d’Oliveira Martins, o gestor da Microsoft, Mauro Xavier, e a eurodeputada Maria Manuel Leitão Marques.

A fundadora e defensora do Simplex, Maria Manuel Leitão Marques, vê como prioridades para Portugal a construção de uma administração pública assente em dados para que sejam comparáveis a nível da União Europeia; a inovação incremental; a criação de “espaços de experimentação” de novas tecnologias onde sejam desenvolvidos projetos piloto multidisciplinares; a promoção da “mobilidade horizontal dos trabalhadores”; e a urgente formação em competências digitais de todas as pessoas nos serviços públicos.

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