No trimestre em que se encerra o ano de 2025, o mercado nacional volta a superar-se, fixando novos recordes de participação. A população ativa aumentou 7,2 mil pessoas face ao trimestre anterior, alcançando os 5,67 milhões de ativos – o valor mais elevado da série histórica.
A análise às qualificações revela, contudo, um mercado a duas velocidades. Se por um lado a força de trabalho está mais instruída – 35,8% das pessoas ativas têm o ensino superior, grupo que regista a taxa de atividade mais alta (83,8%) – por outro, subsistem desafios estruturais de competitividade: 29,2% de todas as pessoas empregadas em Portugal têm um baixo nível de qualificação (no máximo têm o ensino secundário obrigatório), uma proporção que duplica a média da União Europeia.
A Randstad Research divulga os 50 destaques do mercado de trabalho português relativos ao quarto trimestre de 2025, com base nos resultados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE).
População empregada aumenta
A dinâmica positiva reflete-se igualmente na criação de postos de trabalho. A população empregada aumentou em 7,4 mil pessoas, totalizando 5,34 milhões de profissionais, atingindo, novamente, o seu maior valor histórico. A taxa de emprego situou-se nos 57,7%, sendo que os especialistas das atividades intelectuais e científicas se consolidaram como o maior grupo profissional, representando 24,1% de todos os empregados.
Entre os 4,52 milhões de trabalhadores por conta de outrem, a estabilidade contratual continua a ser a norma: 85,5% têm contrato sem termo. A taxa de emprego temporário desceu para 14,5%, menos 0,6 p.p. do que no trimestre anterior.
Desemprego jovem aumenta
No setor público, o emprego superou os 766 mil profissionais no final de 2025 (novo máximo histórico), um aumento homólogo de 1,7%. A administração central concentra 74,6% destes trabalhadores.
A população desempregada diminuiu para 326,3 mil pessoas, uma redução marginal de 300 pessoas face ao trimestre anterior, mas expressiva na comparação anual (-11,4%). A taxa de desemprego estabilizou nos 5,8%. Num contexto comparativo, destaca-se a posição favorável do país: a taxa de desemprego em Portugal (5,8%), no terceiro trimestre de 2025, é 0,2 p.p. inferior à média europeia (6%).
Contudo, o desemprego jovem continua a merecer atenção, tendo a taxa aumentado para 19,8% neste trimestre. Relativamente aos rendimentos, os dados da Segurança Social indicam que o valor médio das remunerações em novembro de 2025 foi de 2.171,50€, refletindo um aumento homólogo de 5,2%. Lisboa continua a apresentar a remuneração média mais elevada do país (2.595,70€).
«Os dados de fecho de 2025 confirmam a extraordinária resiliência do mercado de trabalho português, que atinge duplos máximos históricos na atividade e no emprego e apresenta uma taxa de desemprego inferior à média europeia. No entanto, a análise qualitativa mostra-nos o desafio da polarização: temos um número recorde de licenciados, mas mantemos uma base de baixas qualificações muito superior à da UE. Para 2026, a prioridade terá de ser a convergência de competências, garantindo que o crescimento do emprego é acompanhado pelo aumento da produtividade e da qualificação transversal da força de trabalho», afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad.
Construção foi a atividade mais dinâmica na criação de novos negócios
O tecido empresarial encerra o ano de 2025 com uma vitalidade renovada. Ao longo de todo o ano, foram constituídas 50.263 novas empresas em Portugal, um valor que supera largamente as 13.589 dissoluções registadas no mesmo período. Esta tendência de crescimento consolidou-se no último mês do ano, com dezembro a registar, isoladamente, a criação de quase o dobro das empresas encerradas (2.994 constituições face a 1.528 dissoluções).
A análise setorial revela que a Construção foi a atividade mais dinâmica na criação de novos negócios, liderando com 6.799 constituições em 2025. Em sentido inverso, o setor do Comércio e reparação de veículos registou o maior número de dissoluções (2.703). Estruturalmente, o setor dos Serviços mantém-se como a espinha dorsal da economia, representando 56,1% do tecido empresarial e absorvendo 45,9% da força de trabalho.
Este dinamismo reflete-se na confiança dos agentes económicos. O indicador de clima económico manteve uma trajetória positiva, subindo para os 3,1 pontos em dezembro. Relativamente às perspetivas de emprego para o início de 2026, as empresas do setor dos Serviços e do Comércio mostram-se mais otimistas, prevendo um aumento nas contratações, em contraste com a Indústria e a Construção, que ajustaram as suas expectativas em baixa para o próximo trimestre.
Teletrabalho aumenta no quarto trimestre de 2025
Contrariando a tendência do trimestre anterior, o teletrabalho voltou a crescer no final do ano. O número de pessoas neste regime aumentou em 93 mil, alcançando 1,13 milhões de pessoas – o que representa 21,2% da população empregada. A geografia deste regime permanece desigual: apenas as regiões da Grande Lisboa (33,1%) e da Península de Setúbal (27,8%) registam valores acima da média nacional.
A análise detalhada revela que o regime híbrido se afirmou como a opção preferencial, abrangendo 40,4% dos teletrabalhadores, enquanto apenas 23,8% trabalham sempre a partir de casa. O perfil do teletrabalhador continua muito associado ao nível de escolaridade: 44,6% de todos os profissionais com ensino superior exercem funções em teletrabalho, um valor que cai abruptamente para 12,3% entre quem detém o ensino secundário.


