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Home Notícias Trabalho Portugal tem taxa de emprego de 79,6%, mas atraso digital trava competitividade

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Portugal tem taxa de emprego de 79,6%, mas atraso digital trava competitividade

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2 Setembro, 2026 | 6 minutos de leitura

Portugal apresenta a 11.ª taxa de emprego mais elevada entre 29 países europeus, mas desce para o 24.º lugar na digitalização empresarial. A fraca adoção de inteligência artificial, cloud e comércio eletrónico ajuda a explicar a 17.ª posição do País na classificação geral.

Portugal tem uma taxa de emprego de 79,6% entre a população dos 20 aos 64 anos, um dos pontos fortes identificados no estudo Doing Business in Europe: Where the Action Is in 2026, da Leadfeeder. O resultado coloca o País no 11.º lugar entre as 29 economias europeias analisadas.

O desempenho positivo no emprego e na inovação contrasta, porém, com a utilização empresarial da tecnologia. Portugal ocupa apenas o 24.º lugar na digitalização, penalizado pelas reduzidas taxas de adoção de inteligência artificial e cloud e pelo peso ainda limitado do comércio eletrónico. Esta diferença ajuda a explicar por que razão o País não vai além do 17.º lugar no ranking geral dos ambientes empresariais europeus.

O estudo compara 29 economias através de nove indicadores do Eurostat, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual e da The Conference Board. A análise abrange produtividade laboral, emprego, investimento empresarial, pedidos de patentes e marcas, atividades intensivas em conhecimento e adoção de cloud, inteligência artificial e comércio eletrónico.

Emprego e inovação não compensam atraso digital

A taxa de emprego portuguesa fica relativamente próxima da registada por alguns dos países que ocupam os primeiros lugares. A Suécia apresenta um valor de 81,8%, e a Alemanha chega aos 81,1%. Os Países Baixos lideram este indicador, com 83,4% da população em idade ativa empregada.

No entanto, o estudo demonstra que o emprego e a produtividade, embora importantes, não são suficientes para assegurar uma posição cimeira. A digitalização é a dimensão que apresenta a relação mais forte com a classificação geral: a correlação entre as duas posições chega a 0,89, enquanto no investimento fica pelos 0,14.

Em Portugal, apenas 38,7% das empresas utilizam serviços de cloud, o que coloca o País no 23.º lugar. A Finlândia, líder europeu neste indicador, apresenta uma taxa de 79,2%, mais do dobro da portuguesa.

Na inteligência artificial, a adoção pelas empresas portuguesas fica pelos 11,5%, correspondente à 20.ª posição. A Dinamarca lidera com 42%, quase quatro vezes mais do que Portugal e oito vezes acima dos 5,2% registados na Roménia.

A proporção de empresas portuguesas que recebe encomendas através do comércio eletrónico é de 21,8%, também o 20.º resultado do ranking. Na Lituânia, que lidera este indicador, o valor chega aos 43%.

Leia também: Contratações em TI crescem em Portugal e superam média mundial

 

Portugal está entre os líderes na criação de marcas

O retrato português torna-se mais favorável quando se analisa a inovação e a propriedade industrial. Portugal apresenta 3459,7 pedidos de registo de marcas por milhão de habitantes, o quarto valor mais elevado entre os países analisados.

Apenas a Turquia, com 4286,1 pedidos, França, com 3868, e Chipre, com 3737, apresentam valores superiores. Portugal supera inclusivamente a Alemanha, que regista 3339 pedidos por milhão de habitantes e lidera o ranking europeu nos pedidos de patentes. Este desempenho contribui para que Portugal alcance o 11.º lugar na categoria de inovação e competitividade, à frente da Bélgica, Estónia e Noruega.

Os pedidos de marcas podem refletir dinamismo empresarial, desenvolvimento de produtos e preocupação das organizações em proteger a sua identidade comercial. Ainda assim, não correspondem necessariamente a patentes, inovação tecnológica ou valor económico efetivamente criado.

Portugal regista, assim, marcas a um ritmo mais elevado do que adota ferramentas digitais. Existe uma diferença de 13 posições entre o desempenho do País na inovação e a classificação obtida na digitalização.

O estudo identifica um desequilíbrio semelhante na Alemanha e em França, embora em posições diferentes da tabela. A Alemanha lidera a inovação e competitividade, mas surge apenas em 11.º lugar na digitalização. França ocupa a terceira posição na inovação, mas desce para 19.º na componente digital.

Nos três casos, a dificuldade não está apenas em gerar ideias, propriedade industrial ou novas marcas, mas em transformar essa capacidade numa adoção tecnológica transversal ao tecido empresarial.

 

Suécia vence pelo equilíbrio

A Suécia lidera a classificação geral com 74,8 pontos, à frente da Dinamarca, com 69,2, dos Países Baixos, com 64,6, da Finlândia, com 64,3, e da Alemanha, com 62,6.

Apesar de ocupar o primeiro lugar, o país lidera apenas um dos nove indicadores: a proporção de profissionais empregados em atividades intensivas em conhecimento, que chega aos 50,1%. A vantagem sueca está sobretudo na consistência.

A Suécia é segunda em inovação e competitividade, terceira em digitalização, quarta em atividade empresarial e sexta em investimento. Nenhuma outra economia analisada consegue ficar entre as seis primeiras em todas as categorias.

O país apresenta ainda uma adoção empresarial de IA de 35%, uma utilização de cloud de 72% e uma participação de 36,7% das empresas no comércio eletrónico.

 

Investir mais não garante maior competitividade

A formação bruta de capital fixo também não determina, por si só, a qualidade do ambiente empresarial. A Turquia apresenta a maior taxa de investimento do ranking, equivalente a 30,6% do Produto Interno Bruto (PIB), mas termina apenas na 19.ª posição geral, penalizada pelo último lugar na digitalização.

A Roménia segue uma trajetória semelhante: ocupa o quinto lugar no investimento, com 25,6% do PIB, mas desce para a 26.ª posição na classificação global. Em contrapartida, a Alemanha, os Países Baixos e a Dinamarca aparecem entre os cinco melhores ambientes empresariais apesar de registarem níveis de investimento mais reduzidos.

Os autores alertam, contudo, que esta métrica também depende da fase de desenvolvimento de cada economia. Uma taxa elevada pode significar que o país ainda está a construir estradas, fábricas ou redes; uma taxa mais baixa pode indicar que essas infraestruturas já existem e requerem sobretudo manutenção.

Para Portugal, os resultados concluem: a capacidade para empregar, inovar e criar marcas ainda não está a ser acompanhada por uma transformação digital suficientemente ampla.

Subir na classificação europeia implicará reduzir a distância entre inventar e adotar, acelerando a integração de inteligência artificial, cloud e comércio eletrónico. Na economia de 2026, não vence necessariamente quem lidera um único indicador, mas quem consegue transformar emprego, inovação e tecnologia num sistema empresarial equilibrado.

Redação,
Equipa editorial Líder

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