O custo de vida e a inflação continuam no centro do debate económico, refletindo-se diretamente nas decisões de consumo e na perceção de poder de compra dos portugueses. Mas e se, em vez de euros, o preço dos bens fosse medido em tempo? É precisamente esse exercício que este novo simulador propõe: traduzir despesas em horas de trabalho, tornando mais evidente o verdadeiro custo do dia a dia.
Neste contexto, a Gestlifes, intermediária de crédito, lança um simulador que permite saber quanto vale o tempo dos portugueses. Em concreto, a nova ferramenta permite calcular quantas horas de trabalho são necessárias para adquirir determinados produtos ou serviços com base no salário líquido de cada utilizador.
Os dados extraídos das simulações revelam uma disparidade elevada entre Portugal e outras economias mundiais. Enquanto um trabalhador português com o salário mínimo precisa de dedicar cerca de 244 horas de trabalho (mais de um mês) para comprar um iPhone 16, por exemplo, um trabalhador na Alemanha, com o salário mínimo local, consegue o mesmo aparelho com menos de 100 horas de esforço.
Do consumo à literacia financeira
Esta ferramenta é igualmente útil para confirmar o peso do crédito habitação e outros custos fixos na carteira dos portugueses, já que permite inserir valores personalizados. Neste contexto, percebe-se, por exemplo, que um português com 1.000€ de salário líquido e despesas essenciais no valor de 650€ precisa de trabalhar mais de duas semanas por mês só para cobrir esses encargos básicos de subsistência.
Numa interface intuitiva, o utilizador insere o salário líquido e seleciona o item, serviço ou despesa que deseja. O resultado é apresentado não só em horas, mas também em dias e semanas de trabalho, comparando-os automaticamente com a média nacional e com outros países.
«O objetivo não é desencorajar o consumo, mas sim promover a literacia financeira. Quando percebemos que o preço de um objeto não se mede apenas em euros, mas sim no tempo de vida que dedicamos para o obter, a nossa decisão de compra torna-se muito mais consciente», explica o CEO da Gestlifes, João Pereira.


