Em Portugal, poucas famílias podem comprar uma casa, um carro ou até mesmo fazer uma remodelação completa sem recorrer a um financiamento junto de um banco. Isto significa que em tempos de mudança, principalmente quando existe incerteza, ter um crédito no orçamento familiar pode pesar bem mais do que idealizámos inicialmente. Ainda assim, são muitos […]
Em Portugal, poucas famílias podem comprar uma casa, um carro ou até mesmo fazer uma remodelação completa sem recorrer a um financiamento junto de um banco. Isto significa que em tempos de mudança, principalmente quando existe incerteza, ter um crédito no orçamento familiar pode pesar bem mais do que idealizámos inicialmente. Ainda assim, são muitos os casos que ainda permitem uma poupança ou mesmo uma situação relativamente estável que permita acumular algum dinheiro em caixa.
E, dependendo de caso para caso, em determinado ponto é necessário decidir: devo amortizar ou poupar? Não existe uma resposta consensual, ainda assim, sempre que há espaço para liquidar um financiamento, este pode ser um bom caminho para projetar poupanças a longo prazo. Todavia, cada família tem uma visão única de como deve gerir o seu próprio dinheiro. Por isso, perceber como funciona cada um destes processos pode facilitar a tomada de decisão.
Amortizar a dívida
Em qualquer crédito é possível amortizar o valor total ou parcial. Isto é, pode reduzir a dívida que tem com o banco. Ainda assim, há que ter em conta que grande parte das entidades financeiras aplicam uma taxa pelo reembolso antecipado. Esta taxa tem um valor máximo definido pelo Banco de Portugal e que depende do tipo de crédito. No caso do crédito pessoal é oportuno referir que envolve taxas elevadas, por isso, se existir a possibilidade de liquidar de uma vez o valor, é algo que deve ponderar.
Quando falamos em crédito habitação não é uma decisão tão simples, pois envolve valores mais elevados. Ainda assim, é possível amortizar o capital, que permite a redução da prestação, ou amortizar o tempo, mantendo o mesmo valor que paga mensalmente, mas encurtando o prazo de pagamento. Uma forma indireta de amortizar uma pequena parte da dívida, é transferir o seu crédito habitação para outro banco. Existem algumas entidades bancárias dispostas a não cobrar custos para esta transferência e que pode permitir baixar os custos e condições do empréstimo, que se refletem na mensalidade e no montante total imputado ao consumidor.
Em suma, se o fôlego financeiro é pouco, mas permite a mínima poupança, amortizar a dívida é uma solução viável. Até porque, investir em momentos em que a capacidade financeira é reduzida acaba por não ser aconselhável. Nestas situações é sugerido que tenha um perfil mais conservador e reduza as dívidas antes de alocar dinheiro noutra vertente.
Poupar e amealhar
Amealhar dinheiro extra é um bom sinal para a saúde financeira. Apesar de não ser uma realidade para muitas pessoas em Portugal, é sugerido que exista um fundo de emergência entre seis a doze vezes superior às despesas. Este ponto é ainda mais importante caso exista um crédito por pagar, é que num momento de aperto, este fundo é de facto uma ajuda.
Mas, deixar demasiado no banco nem sempre é sinal de poupança. Em momentos de inflação, em que o custo de vida aumenta consideravelmente, o dinheiro tende a perder valor. Ainda assim, existem as taxas de juro dos depósitos a prazo que oferecem uma rentabilização a quem deixa dinheiro no banco, sendo então necessário validar se o retorno é suficiente ou se este valor pode ser aplicado noutro investimento.
Poupar ou amortizar?
No fim de contas tudo depende da situação financeira e do tipo de crédito associado.
Em determinadas situações, como é o caso do crédito habitação, amortizar uma pequena quantia pode não fazer diferença, mas guardar esse montante para um fundo de emergência pode ser mais oportuno.
Por outro lado, no caso de um crédito pessoal, como por exemplo um crédito automóvel ou cartão de crédito, como falamos de taxas de juro elevadas, a amortização da dívida pode fazer todo o sentido. E, como o reembolso antecipado pode acontecer a qualquer momento, significa que pode ficar livre de dívidas quando for oportuno.
Por fim, é oportuno olhar para o preçário incluindo no seu contrato relativamente às comissões de amortização. Até porque é provável que exista uma comissão até 2%, dependendo do financiamento em causa. Mas, se conseguir poupar para ter dinheiro suficiente para a amortização de crédito, significa que após a liquidação total, terá ainda uma maior facilidade de criar uma almofada de conforto para o seu futuro.

