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Preço do cobre pode quase duplicar até 2035: digitalização e transição energética pressionam procura

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11 Setembro, 2026 | 6 minutos de leitura

A eletrificação, as energias renováveis, os veículos elétricos e a expansão dos centros de dados deverão aumentar a procura mundial de metais. A Coface antecipa défices estruturais de cobre, níquel e alumínio e uma pressão duradoura sobre os preços.

A transição para uma economia menos dependente de combustíveis fósseis pode criar uma nova dependência: a dos metais necessários para construir redes elétricas, baterias, veículos, infraestruturas digitais e sistemas de produção de energia renovável.

Uma análise da Coface prevê que a procura mundial de cobre, níquel e alumínio cresça mais rapidamente do que a oferta até 2035, abrindo caminho a uma escassez estrutural e a um novo ciclo de valorização das matérias-primas.

Segundo as projeções da empresa, os preços do cobre e do níquel poderão quase duplicar durante a próxima década, enquanto o alumínio deverá igualmente registar uma subida acentuada. Para as empresas, o impacto irá além do custo das matérias-primas: garantir o acesso a estes metais poderá tornar-se um fator de competitividade, segurança e continuidade do negócio.

Fonte: Coface

Energias renováveis e centros de dados aceleram a procura

Mesmo antes da aceleração climática, o consumo mundial de metais já era sustentado pela urbanização, pela construção de infraestruturas e pelo crescimento das economias emergentes. O setor da construção representa quase metade do consumo mundial de aço, enquanto a eletrificação está associada a cerca de três quartos da procura global de cobre.

A esta procura juntam-se agora as necessidades das tecnologias de baixo carbono e da economia digital. Parques solares e eólicos, redes elétricas, baterias, veículos elétricos e sistemas de armazenamento exigem grandes quantidades de minerais.

O mesmo acontece com os centros de dados, cuja expansão acompanha o crescimento da inteligência artificial e da computação na cloud. Embora sejam associados ao universo digital, estes equipamentos dependem de redes, cabos, sistemas de refrigeração, servidores e infraestruturas elétricas intensivas em cobre e alumínio.

Num cenário baseado nos compromissos climáticos anunciados, as tecnologias limpas poderão representar 35% da procura mundial de cobre e níquel em 2035.

 

Criar uma nova mina pode demorar cerca de 20 anos

O aumento da procura encontra uma oferta pouco capaz de responder rapidamente. De acordo com a Coface, menos de 1% dos projetos de exploração mineral chega a transformar-se numa mina operacional.

O desenvolvimento de nova capacidade pode demorar, em média, cerca de 20 anos, face a menos de 15 anos no início do século. Os retornos incertos, a redução da concentração de metal nos minérios e o aumento dos custos de exploração e produção tornam o investimento ainda mais complexo.

As cadeias de abastecimento encontram-se também fortemente concentradas. A Indonésia representa 67% da produção mundial de minério de níquel, enquanto a China controla mais de metade da capacidade de refinação de vários metais.

Esta concentração transforma os minerais críticos numa questão geopolítica. No final de 2025, estavam em vigor 1.138 medidas comerciais que afetavam a importação ou exportação destes recursos, mais de três vezes as 357 registadas dez anos antes.

 

Cobre pode enfrentar défice de 6,5 milhões de toneladas

Essencial para a eletrificação, para as redes e para as infraestruturas digitais, o cobre poderá enfrentar um défice entre 1,5 e 6,5 milhões de toneladas em 2035, dependendo da velocidade da transição.

No cenário de emissões líquidas nulas, a procura poderá atingir 38,3 milhões de toneladas, perante uma oferta estimada em 31,9 milhões. A diferença equivale a aproximadamente 17% da procura mundial.

A rápida construção de centros de dados poderá agravar este desequilíbrio. A revolução da IA está, assim, a valorizar também as empresas que fornecem as infraestruturas físicas da economia digital.

 

Níquel poderá ser o metal mais pressionado

Utilizado em baterias e na mobilidade elétrica, o níquel deverá ser um dos metais mais afetados pela transformação energética. Segundo os valores apresentados pela Coface, a oferta poderá situar-se nos 4,4 milhões de toneladas em 2035, perante uma procura de 6,7 milhões num cenário Net Zero.

O défice resultante seria de cerca de 2,3 milhões de toneladas, correspondente a aproximadamente 35% da procura projetada. Esta pressão poderá aumentar a volatilidade dos preços e reforçar a importância estratégica dos países produtores e das empresas responsáveis pela refinação.

 

Alumínio depende de energia e capacidade industrial

No caso do alumínio, o principal obstáculo não será necessariamente a falta de recursos naturais. O desafio reside na capacidade industrial, no investimento necessário para a expandir e no acesso a eletricidade a preços competitivos.

A produção de alumínio é particularmente intensiva em energia. Até 2035, a oferta poderá alcançar 88,8 milhões de toneladas, enquanto a procura deverá variar entre 93,7 e 103,1 milhões. O défice poderá, assim, aproximar-se dos cinco a 15 milhões de toneladas.

O aço e o zinco apresentam perspetivas menos pressionadas, devido a condições de oferta mais favoráveis e a uma exposição inferior às novas necessidades energéticas e digitais.

 

Reciclagem passa a ser uma estratégia de competitividade

A eventual subida dos preços deverá obrigar fabricantes e empresas industriais a rever a forma como compram, utilizam e recuperam materiais. Diversificar fornecedores, reduzir a intensidade material dos produtos e aumentar a reciclagem poderão tornar-se prioridades estratégicas.

A economia circular permite recuperar parte dos metais já integrados em edifícios, equipamentos, veículos e dispositivos eletrónicos, reduzindo a dependência da extração primária e de cadeias de abastecimento concentradas.

A transição energética não dependerá, portanto, apenas da capacidade de instalar mais energia renovável ou vender mais veículos elétricos. Dependerá também da existência dos materiais necessários para tornar essas soluções possíveis. A corrida para descarbonizar a economia poderá ser igualmente uma corrida pelo cobre, pelo níquel e pelo alumínio.

Redação,
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