Os riscos de rapto, extorsão e violência dirigida estão a assumir uma relevância crescente no universo empresarial, impulsionados pela instabilidade geopolítica, pela evolução da criminalidade organizada e pelo aumento das ameaças direcionadas a executivos e organizações. O alerta foi deixado pela WTW durante mais uma edição do webinar 'Risk Insights Talks', desta vez dedicada ao tema 'Special Crime'.
Durante a sessão, especialistas internacionais analisaram a evolução de ameaças como o rapto, a extorsão, o terrorismo, a violência armada e outras situações de crise com potencial impacto nas operações das empresas e na segurança dos seus colaboradores. A principal conclusão é que estes riscos deixaram de ser encarados como cenários excecionais para passarem a integrar o atual panorama global de risco empresarial.
Segundo os especialistas da consultora, a crescente volatilidade internacional, associada ao aumento da criminalidade organizada e ao recurso cada vez mais frequente a criptomoedas em esquemas de extorsão, está a transformar o contexto de segurança em que as organizações operam.
Embora Portugal continue a apresentar um nível de risco relativamente reduzido, a WTW destaca o crescimento dos chamados ‘raptos-relâmpago’ em vários países europeus. Este fenómeno está sobretudo associado à criminalidade urbana e à coerção financeira de vítimas selecionadas de forma oportunista.
A consultora sublinha ainda que os incidentes relacionados com ameaças e violência dirigida têm vindo a aumentar a nível global. Nos Estados Unidos, por exemplo, as notificações de apoio a crises cresceram 26% em 2025 face ao ano anterior, refletindo um agravamento das situações que exigem intervenção especializada.
«Os riscos relacionados com rapto, extorsão, ameaças ou violência dirigida já não são cenários remotos para as organizações. Hoje, a verdadeira diferença está na capacidade de preparação e resposta nas primeiras horas após um incidente. As empresas precisam de integrar estes riscos nos seus modelos de gestão e garantir que têm acesso a apoio especializado, protocolos claros e equipas treinadas para atuar em contextos de elevada pressão», afirma Luís Teixeira, Senior Director – Business Development da WTW.
Durante o webinar, foi também destacada a importância crescente dos seguros especializados de Kidnap & Ransom (K&R) e Active Assailant. Estas soluções procuram apoiar as organizações na gestão de incidentes críticos, assegurando não apenas cobertura financeira, mas também acesso a serviços de resposta operacional, comunicação de crise, apoio psicológico, evacuação e recuperação pós-incidente.
A preparação das equipas de gestão de crise foi outro dos temas centrais da sessão. Os especialistas defenderam a necessidade de investir em formação específica, exercícios de simulação, protocolos internos de atuação e acesso a serviços de intelligence capazes de identificar e antecipar potenciais ameaças.
Através da unidade Alert:24, a WTW disponibiliza apoio permanente às organizações, incluindo monitorização de risco, consultoria especializada, formação e acompanhamento operacional em situações de crise, numa lógica de prevenção e reforço da resiliência organizacional.
«Os riscos de rapto, extorsão e violência dirigida deixaram de ser eventos improváveis e passaram a exigir uma abordagem estruturada e permanente por parte das organizações. A preparação, a formação das equipas e a capacidade de resposta nas primeiras horas de uma crise são hoje fatores determinantes para minimizar impactos humanos, operacionais e reputacionais», afirma Diego Gómez-Arroyo, Director of Special Crime & Crisis Management da WTW.
Num contexto internacional cada vez mais marcado pela incerteza, os especialistas defendem que a capacidade de antecipação e resposta será determinante para proteger pessoas, garantir a continuidade do negócio e salvaguardar a reputação das organizações. A prevenção, concluem, tornou-se uma componente essencial da estratégia de gestão de risco das empresas.


