O turismo em África está em forte recuperação, com vários países a ultrapassarem os números registados antes da pandemia. O Egito, Marrocos e a África do Sul continuam no topo, representando mais de 70% das chegadas internacionais em 2022 e cerca de metade das receitas turísticas do continente. A segunda edição do Annual African Tourism […]
O turismo em África está em forte recuperação, com vários países a ultrapassarem os números registados antes da pandemia. O Egito, Marrocos e a África do Sul continuam no topo, representando mais de 70% das chegadas internacionais em 2022 e cerca de metade das receitas turísticas do continente.
A segunda edição do Annual African Tourism Outlook, lançada pelo Nova SBE WiTH Africa, reforça esta tendência. O relatório analisa o desempenho do turismo africano e avalia três áreas estratégicas: chegadas internacionais, setor da aviação e performance dos países segundo o Fórum Económico Mundial.
Crescimento desigual, mas aviação impulsiona setor
O avanço do turismo não é uniforme. Enquanto alguns países registam crescimentos robustos, outros continuam com um setor subdesenvolvido. Para organizar esta realidade, o estudo classifica os mercados turísticos africanos em quatro categorias:
- Indústria do turismo estabelecida – Egito, Marrocos e África do Sul dominam.
- Indústria emergente – Quénia e Maurícias crescem rapidamente.
- Economia do turismo em crescimento – Gana e Etiópia mostram evolução consistente.
- Mercado nascente – Países com turismo subdesenvolvido, mas grande potencial de investimento.
Apesar das diferenças, a aviação tem sido um motor da recuperação. O tráfego aéreo entre África e a China subiu 63% em 2024. As rotas para o Médio Oriente cresceram 11,1% e para a Europa 4,3%. No entanto, desafios estruturais persistem. Infraestruturas deficientes e instabilidade política travam um avanço mais expressivo.
Obstáculos estruturais ainda pesam
O Travel and Tourism Development Index de 2024 mostra uma evolução positiva. Dezesseis das 19 economias africanas analisadas melhoraram o desempenho. A África do Sul lidera o ranking, seguida pelas Maurícias e Gana. Ainda assim, problemas estruturais continuam a dificultar o crescimento.
A falta de segurança, as más infraestruturas de transporte e as restrições no uso de tecnologias são entraves. O orçamento reduzido para o turismo também limita o desenvolvimento sustentável do setor. Além disso, a fraca conectividade entre países africanos complica um crescimento mais integrado, apesar de iniciativas promissoras como a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) e o Mercado Único Africano de Transportes Aéreos (SAATM).
Mesmo com estes desafios, o turismo africano mostra resiliência. Com uma procura crescente por experiências culturais autênticas, o continente está numa posição privilegiada para captar mais visitantes e consolidar-se como um destino de referência.


