Proibido proibir, parte 2

Um dos slogans dos revolucionários anos 70 dizia que deveria ser proibido proibir. Ora talvez seja tempo para revisitar este princípio: anda no ar um odor a proibicionismo que é muito desencorajador para quem acredita na democracia como território da liberdade. Os arautos das novas morais desejam proibir aquilo de que não gostam, ao mesmo tempo que pretendem obrigar os outros a alinhar com as suas ideias corretivas dos males do mundo.

Não deveria ser necessário lembrar que as boas sociedades beneficiam da diversidade e da concorrência entre ideias, projetos e pessoas. Apostam mais em encorajar ou pelo menos tolerar a diferença e a variação, do que em homogeneizar o que não tem de ser homogeneizado. A lei do teletrabalho será apenas o mais recente exemplo. Para proteger os trabalhadores das garras dos patrões cria-se legislação que provavelmente vai impedir o processo de experimentação em curso, o qual conduziria ao florescimento de diferentes ideias em diferentes organizações.

A intervenção precoce, mesmo que bem-intencionada, vai impedir o processo de experimentação de ser conduzido até à estabilização das aprendizagens. Vai incentivar mais empresários a evitar o emaranhado decorrente de uma nova uma teia legal, limitando o uso de uma tecnologia social com potenciais ganhos para todos. Que a nacional predisposição regulatório-controladora tenha chegado à capa do Financial Times (16 de novembro) é apenas mais um aviso aos investidores. Pensem bem antes de decidirem se devem meter o dinheiro num país onde tanto se desconfia deles. Será este o melhor caminho para o desenvolvimento do país e para o bem-estar material dos seus cidadãos?


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

Artigos Relacionados: