A mais recente medida do Governo português para o próximo ano letivo alarga a regulamentação do uso dos telemóveis até ao sexto ano, passando de uma recomendação a uma proibição efetiva. Esta decisão de proibir telemóveis nas escolas a partir de setembro acolhe consenso entre pais e professores. Recentes dados divulgados pelo Governo indicam que […]
A mais recente medida do Governo português para o próximo ano letivo alarga a regulamentação do uso dos telemóveis até ao sexto ano, passando de uma recomendação a uma proibição efetiva. Esta decisão de proibir telemóveis nas escolas a partir de setembro acolhe consenso entre pais e professores.
Recentes dados divulgados pelo Governo indicam que os resultados da proibição são positivos: existe uma relação entre a proibição do uso de telemóvel e a diminuição do bullying, da indisciplina e dos confrontos, e o aumento da socialização entre os alunos, da atividade física e do tempo passado nas bibliotecas.
A SaveFamily, empresa provedora de relógios inteligentes para crianças e jovens, levou a cabo uma investigação onde conclui precisamente que a maioria dos pais concorda com a proibição dos telemóveis nas escolas, reconhecendo o impacto menos positivo que o uso excessivo destes equipamentos pode aportar ao desenvolvimento dos mais novos.
Por outro lado, os dados revelam que a irritabilidade e a ansiedade, os primeiros sinais de dependência digital, preocupam já os pais, levando-os também a procurar outras ferramentas, de forma a introduzir a tecnologia no quotidiano dos mais novos, sem que esta se torne demasiado invasiva.
A preocupação com a idade de introdução dos telemóveis
Com a introdução cada vez mais precoce dos telemóveis, em idades tão baixas como três e quatro anos, o impacto na socialização das crianças faz-se sentir cada vez mais, sobretudo em ambiente escolar, onde o rendimento académico pode ser prejudicado pelo uso excessivo destes equipamentos.
«Numa sociedade cada vez mais conectada é difícil aos pais manterem os mais novos totalmente afastados da tecnologia. As medidas governamentais procuram mitigar os efeitos nocivos que já se fazem sentir entre as camadas mais jovens, mas é possível também encontrar alternativas que os ajudem a aprender a usar a tecnologia, sem que esta domine a sua vida», defende Pedro Chaves Costa, diretor de vendas da SaveFamily para Portugal.
De facto, os pais procuram, de forma cada vez mais ativa, atrasar a introdução de equipamentos eletrónicos, como os telemóveis, no dia-a-dia dos seus filhos. Contudo, o uso da tecnologia em estratégias de aprendizagem tem também que ser tido em conta, sendo necessário desenvolver medidas que ajudem a um equilíbrio entre o uso e a proibição total da tecnologia.
Os relógios inteligentes são uma das estratégias possíveis de adotar: a criança mantém-se conectada e com acesso à internet, mas com limites de utilização e modos de concentração em sala de aula, o que lhes permite desenvolver estratégias de controlo do uso da tecnologia e perceber como esta pode ser útil — por exemplo, com recursos a Inteligência Artificial adaptada à idade.
Estes equipamentos apresentam-se como uma alternativa adequada aos telemóveis, uma vez que têm de origem localização por GPS, para garantir a segurança física, chamadas e videochamadas para números definidos pelos pais, e botão SOS em caso de perigo.
«Acreditamos que é necessário desenvolver uma estratégia de educação digital que faça os mais novos entenderem que a tecnologia está preparada para os ajudar, mas que não deve dominar o seu dia-a-dia», afirma Pedro Chaves Costa. «Queremos desenvolver, com os pais, entidades governamentais e educadores, ferramentas que ajudem os mais novos a viverem diariamente numa sociedade tecnologicamente mais equilibrada e que, no futuro, não seja necessário tomar medidas drásticas», conclui.


