Qual é a essência do líder?

Afinal de contas é muito mais simples do que parece, embora nem por isso seja mais fácil. A condição necessária do líder, que não é de todo suficiente, é que ele tenha seguidores.

Enquanto os gestores têm equipas sob a sua responsabilidade que lhes obedecem, o líder está com pessoas que querem segui-lo. Esta classificação tem muitas implicações: primeiro, qualquer um de nós foi e pode ser líder em certos campos ou áreas, o que é um grande alívio sabermos isso. A segunda implicação é que a liderança é uma questão de emoções. Por isso, o trabalho para desenvolver o nosso potencial deve ser sustentado necessariamente por um trabalho “interiorizado”.

Como assim?

Ora todos sabemos que temos que delegar e nem precisamos de consultar alguém para nos dizer isso mesmo. O desafio é saber e gerir depois, o que por um lado  dificulta, para cada um de nós, o saber delegar nos nossos colaboradores e por outro lado, não lhes dedicar mais tempo de qualidade, o que depende fundamentalmente de uma emoção silenciosa mas importante: o medo.

Portanto, o desenvolvimento da liderança envolve primeiro a gestão do nosso medo, que é, afinal, o que nos impede de colocar em jogo todo o nosso potencial e, posteriormente, gerir o nosso próprio talento. Não creio que seja possível o desenvolvimento da liderança sem o desenvolvimento pessoal, mas é preciso coragem para isso. Olhar para dentro nem sempre é agradável e conheço muitas pessoas que apresentam mil desculpas para não o fazer.

O equilíbrio no desenvolvimento da liderança com o desenvolvimento pessoal é para os corajosos. Vejamos, às vezes há pessoas que querem e não sabem, ou que podem e não querem, ou simplesmente podem e não sabem e estas três premissas precisam estar alinhadas o que não é claro.

No que me toca, penso que se não for corajosa para aceitar as minhas próprias necessidades, será difícil, para mim, liderar alguém, porque liderar também é ajudar os outros a gerir os seus medos.

O medo de errar, o medo de falhar, o medo de perder… O que é realmente diferente nas pessoas é a reação a estes medos. Estes perdem todo o seu peso quando se tem a coragem de admitir os erros na frente dos outros. Retificar quando deve ser feito e expor as fraquezas, paradoxalmente reforça a liderança.

O medo de delegar é superado quando se tem plena consciência de que delegar é a base do desenvolvimento das pessoas da equipa. Experimentemos, fará de nós certamente um líder melhor e, acima de tudo, uma pessoa melhor.

 


Por Maria Duarte Bello, CEO da MDB – Coaching e Gestão de Imagem, Coach PCC & Mentor Senior

 

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