Qual o futuro da Europa pós-COVID-19?

O modelo mais adequado para apoiar financeiramente os países da União Europeia a sair da crise provocada pelo coronavírus são as subvenções, ou apoios comunitários, e não tanto os empréstimos, na opinião de Marisa Matias, eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda.


Segundo explicou no debate online “O Futuro da Europa pós-COVID-19”, promovido esta semana pelo ISAG – European Business School, instituição de ensino superior politécnico particular do Porto, este é o tipo de modelo proposto pela Reserva Federal Americana e pelo Banco de Inglaterra.

A vantagem de se atribuírem subvenções à recuperação e não empréstimos às atividades mais afetadas pela crise pandémica é a segurança que isso confere às empresas. “A resposta global da UE ainda é uma grande incógnita”, disse. Mas, explicou que a lógica tem estado muito dependente de empréstimos.

O problema é que “apesar das taxas de juro serem baixas estão acima daquelas que Portugal tem conseguido nos leilões da dívida pública”, lembra. Assim, a solução pode não ser apropriada para Portugal neste momento. Se o País consegue uma taxa melhor a financiar-se nos mercados pode preferir os mercados do que empréstimos comunitários.

A expectativa agora é a de conhecer a proposta de fundo de recuperação económica que é esperada a qualquer momento. “Não está ainda na agenda da Comissão Europeia”, avançou Marisa Matias esta segunda-feira. Qual será o modelo adotado pelo fundo europeu de recuperação: transferências comunitárias ou empréstimos? Esta é a questão em cima da mesa neste momento.

Solidariedade em causa
Sobre o fundo de solidariedade da UE, a eurodeputada Isabel Carvalhais do partido socialista explicou que não se trata de um fundo de recuperação económica, mas de uma ajuda financeira para respostas imediatas que decorram das ações públicas tomadas pelos estados membros durante os primeiros quatro meses da pandemia.

“O propósito deste fundo não é pagar todas as despesas, mas complementar os esforços dos estados membros cobrindo despesas médicas aplicadas à população afetada pela COVID-19.”


Sobre a questão da solidariedade, Nuno Melo, eurodeputado eleito pelo CDS-PP, defendeu neste debate moderado por Teresa Silveira, jornalista da Vida Económica e ex-aluna do ISAG, que as divisões no seio da União são mais entre os países do Norte e os países do Sul. “Todos os fundadores do projeto europeu são de uma geração da Grande Guerra e estiveram disponíveis para uma solidariedade que hoje a geração da abundância não está”, disse.

A situação que vivemos é excecional, por isso defende medidas extremas para dar resposta à crise pandémica, alertando para o facto das famílias portuguesas estarem dependentes do seu vencimento para pagar uma série de despesas fixas.

O que se está a passar é que muitas famílias deixaram de ter vencimento, mas continuam a ter despesas. “As famílias estão em falência: esta área precisa de apoio da UE”, disse no debate organizado a propósito do Dia da Europa (9 de maio), sobre os desafios e oportunidades trazidos pela pandemia COVID-19 a uma nova Europa.

“No ISAG – European Business School estamos a acompanhar de perto a evolução do quadro socioeconómico da União Europeia, focando, em particular, as mudanças que vão ocorrer no período pós-pandemia e que terão efeitos diretos em Portugal”, indicou Elvira Pacheco Vieira, diretora-geral do ISAG.

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