Quando é que se consegue pôr fim a uma pandemia?

A história começou assim: um vírus respiratório altamente contagioso, e por vezes mortal, começou a infetar os humanos pela primeira vez. Espalhou-se rapidamente por todo o mundo, e a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de pandemia. O número de mortos começou a aumentar e as pessoas questionavam-se: quando chegaremos ao fim, ao momento em que controlamos a pandemia?

A Organização Mundial de Saúde poderá declarar que chegámos ao fim da pandemia quando o nível de contágio estiver relativamente controlado e quando os meios de transmissão baixarem consideravelmente no mundo.

Alex Rosenthal, o produtor editorial do TED-Ed, o ramo educacional da plataforma de palestras TED Talks, identifica as três principais estratégias que os governos podem usar para conter e levar uma pandemia a chegar ao fim.

Acelerar o contágio através do “efeito de rebanho”
No caso da primeira estratégia, os governos não fazem nada para parar a disseminação e permitem que as pessoas estejam expostas ao vírus. Os sistemas nacionais de saúde atingem rapidamente a sua capacidade e muitas pessoas morrem pelo caminho, ou pela doença ou por falta de acesso ou condições das unidades de saúde.

Neste cenário, a maioria das pessoas é infetada, umas morrem e outras sobrevivem. As que sobrevivem passaram a ver a sua imunidade ao vírus aumentada. A este processo chama-se herd immunity ou seja, aquela imunidade conseguida quando o vírus deixa de ter “hospedeiros”, ou seja, quando uma grande percentagem da população já esteve em contacto com o vírus e foi contagiada.

Também chamada de “efeito de rebanho” ou de “imunidade da população”, é o momento em que as cadeias de contágio são interrompidas, limitando-se assim a propagação da doença. O raciocínio de base é este: quanto maior é a proporção de indivíduos imunes numa dada população, menor é a probabilidade de os indivíduos não imunes entrarem em contacto com um indivíduo infecioso, o que ajuda a proteger os indivíduos que não estão imunes.

Contudo, ainda não está provado que uma pessoa contagiada possa estar imune – e se estiver, durante quanto tempo? Sobre este assunto os investigadores até este momento ainda não publicaram conclusões definitivas.

Esperar e vacinar
Mas há outra forma de herd immunity sem que tantas pessoas morram – a vacinação. Esta é a segunda estratégia, segundo o editor Alex Rosenthal, que já produziu centenas de vídeos de animação educativos para a TED-Ed com base em conhecimento de educadores e especialistas.

Nesse cenário, quando uma pandemia é decretada, os governos aceleram o processo de pesquisa de uma vacina e ao mesmo tempo põem em prática uma série de táticas, como, por exemplo, dar acesso a exames ao maior número de pessoas possível, colocar em quarentena quem está infetado pelo vírus ou colocar em prática medidas de distanciamento social.

Mesmo com estas medidas, é inevitável que o vírus se espalhe. Contudo, graças a se ter conseguido um esforço global, com vários países envolvidos, daqui a uns anos descobre-se uma ou mais vacinas a que a população passa a ter acesso. A imunidade entra em ação, cobrindo de 40% a 90% da população, e a pandemia termina.

Esfoço global coordenado
A terceira estratégia chama-se “coordenar e esmagar”, o que significa que os governos tomam ações sincronizadas para parar o contágio, como, por exemplo, a obrigação de ficar em casa em quarentena, o distanciamento social entre as pessoas ou o restringir das viagens. Tudo isto deve ser uma resposta global e sincronizada para que se produza o efeito desejado.

Em vez de cada líder no seu país optar por uma estratégia diferente, este cenário pressupõe que os governos ajam em uníssono. Assim podem controlar o contágio em poucos meses e menos pessoas morrem. Mas, o risco desta estratégia é que, quando o vírus estiver erradicado, uma nova pandemia pode voltar a surgir, incluindo o perigo de também os animas poderem vir a ser meios de transmissão.

Perante isto, qual é a melhor estratégia? “A primeira tem a vantagem de ser um processo rápido, mas pode vir a ser uma catástrofe global e pode não produzir efeito se as pessoas continuarem a ser reinfetadas; a terceira, o esforço global coordenado, tem também a vantagem de produzir resultados rapidamente, mas só é credível se se conseguir uma verdadeira cooperação global, muitas vezes impossível”, defende o autor.

Então, qual é a estratégia vencedora? É a segunda, vacinar e esperar pela imunidade da população, não esquecendo que implica um esforço de coordenação global entre os países.

Mesmo que a pandemia acabe oficialmente antes da vacina estar disponível, o vírus reaparece sazonalmente e assim as vacinas continuam a proteger as pessoas mesmo que sejam precisos anos para gerar uma disrupção. Os tratamentos que, entretanto, forem surgindo podem também ajudar a lidar com o vírus e a fazer com que seja menos perigoso.

“A inspiração através dos sucessos e as lições retiradas dos fracassos devem ajudar-nos a saber controlar a próxima pandemia, de modo a que os filhos dos nossos filhos nem saibam o seu nome”, diz Alex Rosenthal para concluir.

 

Por Maria João Alexandre

 

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