Quando o óbvio acontece

Quando conhecemos uma história de sucesso e procuramos as boas práticas seguidas pelo líder, é comum acenarmos que sim com a cabeça e concordarmos com boa parte delas. Das boas práticas apresentadas em livros, aos webcasts ou às grandes conferências, temos hoje o privilégio de ter acesso a muita informação e de haver grande abertura e partilha a nível global. Então, assim sendo, a pergunta natural que se coloca é: porque é que nem sempre essas práticas são aplicadas? Ou então, sendo aplicadas, porque é que nem sempre produzem resultados de sucesso?

Uma das boas práticas de liderança é ter um propósito claro e comunicado. Um propósito nobre, capaz de inspirar e mobilizar equipas. Quando alguém está comprometido com um resultado, demonstra mais energia e resiliência, ingredientes muito importantes para o sucesso numa missão. Esta é uma boa prática bastante falada e, arrisco a dizer, seguida, nos últimos anos. Vamos agora aos detalhes.

O líder acredita verdadeiramente no propósito?

É um exemplo, ele próprio, desse propósito? Está ligado emocionalmente a esse fim? Ou é um propósito atrativo, popular, bem definido e deixado escrito nas paredes ou no plano estratégico da empresa, organismo, missão? A importância e comunicação do propósito mantém-se viva? Ou foi-se perdendo ao longo do tempo? Se a missão for curta é mais fácil manter esse propósito vivo. Numa missão a vários anos, é necessário investir tempo e energia, de forma regular, para manter o propósito bem presente.

Os processos internos foram adaptados para se alinharem e contribuírem para esse propósito? O modelo de incentivos, as decisões que são tomadas, as prioridades que são definidas, são consistentes com o propósito? Credibilizam ou contrariam a intenção definida e comunicada? A mudança é constante. E o propósito, também pode mudar?

As boas práticas de liderança são conhecidas. As histórias de sucesso, que confirmam essas boas práticas, são um estímulo para as adotar e passam-nos um sentimento de urgência. Mas é no conhecimento dos detalhes, com verdade e sem filtro, que residem as verdadeiras lições que nos podem ajudar a fazer o caminho. Neste caso, definir um propósito é o início do caminho. Procurar respostas, para as questões que aqui deixo e outras, faz parte desse caminho. O caminho é complexo, exige disciplina e consistência. Quando o percorremos, partilhamos a boa prática, simples e mágica, e o óbvio acontece: ter um propósito é determinante para o sucesso das missões.


Por Carmo Palma, Managing Director na Axians Portugal

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