Quantos europeus são necessários para fazer uma FinTech?

Da união das palavras financial e technology surge o termo FinTech que hoje corresponde a startups que trabalham na inovação e otimização dos serviços do sistema financeiro. Com custos operacionais bastantes mais baixos em comparação às instituições tradicionais do setor, o número de FinTechs de um país pode dizer muito acerca do seu nível de inovação financeira.

Consideradas disruptivas e essenciais para resolver problemas globais relacionados com dinheiro, finanças e até solucionar questões ao nível da economia mundial, as FinTechs podem facilitar pagamentos, melhorar os custos e até servir de alternativa aos bancos tradicionais.

Uma análise feita pela empresa dinamarquesa de software, Subaio, How many Europeans do you need to make a fintech?, calculou quantos cidadãos (per capita per FinTechs) são necessários para produzir uma organização deste perfil, em cada um dos 31 países Europeus pesquisados.

O indicador de inovação financeira de um país pode-se medir pelo número de FinTechs que alberga. Países com mais de 150 destas empresas – como a Alemanha, Irlanda e Suécia – irão provavelmente gerar mais empregos, criar mais valor para os investidores e fornecer melhores serviços aos consumidores quando comparados com países com menos de 20 FinTechs – como o Liechtenstein, Eslováquia e Eslovênia.

Os países com maior número dessas entidades podem influenciar mais positivamente a economia do país, como é o caso da Alemanha, que para além de contar com 259 FinTechs, acolhe gigantes financeiros como as “startups unicórnio” cuja avaliação de mercado é superior a mil milhões de dólares. Por outro lado, países com menos FinTechs provavelmente não irão ter empresas de tal magnitude, perdendo os benefícios que um espaço financeiro mais desenvolvido pode trazer.

Segundo a Subaio, as FinTechs fornecem inovação que está altamente ligada tanto à atração de talentos como de novo capital, e é por isso que muitos países estão focados nesse objetivo.

Índice Fintech per capita

Sendo uma das maiores economias europeias, não é uma surpresa que a Alemanha tenha as startups mais recentes e inovadoras, contudo ajustar o número dessas startups à dimensão demográfica de um país pode tornar-se interessante quanto à avaliação dessa inovação financeira.

O índice FinTech per capita mostra que, apesar de tradicionalmente as grandes potências europeias produzirem mais FinTechs, não são afinal tão inovadoras. Ao fazer-se essa relação, entre número de habitantes e startups, países como a Itália e a França caem para os últimos lugares da classificação, enquanto a Espanha e a Alemanha, com cerca de 300 e 320 mil pessoas respetivamente, apresentam níveis ligeiramente cima da média europeia de apenas uma FinTech para cada 338 mil cidadãos. Em Portugal foram contabilizadas 24 entidades com um índice per capita de 428.192 pessoas.

Afinal, quais são os países fortes?

Não considerando as micronações, como o Liechtenstein e Luxemburgo, os países nórdicos, têm uma classificação significativamente mais alta de FinTech per capita, com uma entidade por cada 51 mil pessoas. Com uma classificação ainda melhor, os países bálticos precisam de apenas 45 mil pessoas para produzir uma FinTech. Essas duas regiões – conhecidas como Nordic-Baltic Eight (Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia) – estão na liderança das classificações de inovação e digitalização, como o desenvolvimento da rede 5G e servindo de centro de pesquisa e desenvolvimento para empresas como a Microsoft e da SAP.

FinTechs em Portugal

Uma análise do Banco de Portugal, publicada no início deste ano, procurou caracterizar as instituições de pagamento (IP), instituições de moeda eletrónica (IME) e entidades FinTech.

O relatório “Caracterização das IP, IME e entidades FinTech que atuam em Portugal”, baseado numa consulta realizada no final de 2019, não refletindo por isso as alterações do mercado em consequência da Pandemia COVID-19, teve como objetivo recolher informação sobre a forma como estas instituições/entidades estão a adotar soluções tecnológicas inovadoras na prestação de serviços financeiros.

A exigência associada ao cumprimento da regulação é um dos principais desafios identificado, quer por IP e IME, quer por entidades FinTech que também destacam os custos de investimento. O segmento dos pagamentos, seguido pelo financiamento e crédito, são referidos como estando a ser os mais impactados pelo desenvolvimento de FinTechs.

As principais barreiras à inovação digital e tecnológica nos serviços financeiros são o custo de novos investimentos, a dimensão do mercado nacional e a legislação/regulação. Neste último caso, as FinTechs indicam a complexidade e lacunas da regulação e a falta de flexibilidade e/ou proporcionalidade da mesma, como o principal problema.

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