O consumo de energia doméstico é o principal impulsionador das emissões residenciais e tem vindo a aumentar de forma constante nos últimos anos, derivado de dispositivos e aparelhos que consomem muita energia. Esta tendência, associada à subida acentuada dos custos da energia e aos impactos reais das alterações climáticas, tem contribuído para a sensibilização para […]
O consumo de energia doméstico é o principal impulsionador das emissões residenciais e tem vindo a aumentar de forma constante nos últimos anos, derivado de dispositivos e aparelhos que consomem muita energia. Esta tendência, associada à subida acentuada dos custos da energia e aos impactos reais das alterações climáticas, tem contribuído para a sensibilização para o consumo doméstico de energia.
Ainda assim, existe uma lacuna quanto à literacia energética, mesmo a mais tradicional: 30% dos proprietários não sabe o que o seu quadro elétrico faz, e 16% não sabe a sua localização.
O quadro elétrico está no centro do sistema de energia da casa e atua como ‘guardião’ para garantir a segurança dos dispositivos e aparelhos elétricos, pelo que esta falta de conhecimento representa potenciais riscos de segurança.
Adicionalmente, existe uma distância entre a sensibilização e a ação; 82% da população considera a eficiência energética ‘algo importante’ ou ‘muito importante’, enquanto 84% afirma que a eficiência energética é a melhoria doméstica que mais deseja; 70% respondeu que a redução da pegada de carbono é ‘importante’ para si.
Ainda assim, apenas 44% ajusta regularmente a temperatura ambiente, apesar de esta ser uma das medidas de maior impacto. Ao mesmo tempo, 58% dos proprietários de casas desliga as luzes como principal estratégia de poupança, apesar de a iluminação representar apenas cerca de 5% das faturas de eletricidade.
Os resultados são da Schneider Electric, empresa dedicada à transformação digital da gestão e automação da energia, que divulgou a terceira edição do seu inquérito aos consumidores, ‘Evolving home energy consumption: Intentions, actions and hurdles to greater home energy efficiency’.
O estudo inquiriu 13.000 pessoas em onze países a nível mundial, revelando as atitudes que tomam em relação à eficiência energética doméstica, sustentabilidade e tecnologia de casas inteligentes.
Proprietários estão céticos quando ao papel da Inteligência Artificial na eficiência energética
As medidas ecológicas preferidas pelos proprietários são as de menor impacto. O segundo método mais popular entre proprietários é desligar os carregadores não utilizados (48%), que tem também um impacto mínimo.
O relatório revela uma preocupação excessiva na iluminação quando se trata dos tipos de tecnologia energética doméstica que os consumidores têm nas suas casas – 52% acredita que a iluminação inteligente aumenta a eficiência energética.
Por outro lado, enquanto 24% possui iluminação inteligente, apenas 21% tem um termóstato inteligente, e menos de metade (46%) reconhece os seus benefícios em termos de poupança de energia, apesar das provas que demonstram que pode reduzir as faturas em até 30% por ano.
Pela primeira vez, o inquérito explorou as atitudes em relação à Inteligência Artificial (IA). Apesar das previsões de que a IA e a automação poderiam ajudar a mitigar até 10% das emissões globais de gases de efeito de estufa, 44% dos inquiridos afirma que nunca confiaria na IA para tarefas domésticas, 35% não a compreende totalmente e 41% quer evitá-la ativamente.
Para além disso, 52% acredita que a tecnologia doméstica inteligente é demasiado dispendiosa, apesar de as casas conectadas poderem permitir poupanças de energia de até 22%.
Os consumidores querem reduzir a sua fatura energética, aumentar a fiabilidade da sua energia e aumentar a eficiência energética das suas casas. No entanto, existe uma discrepância entre a intenção e a ação. A tecnologia que pode melhorar a eficiência energética doméstica já existe, mas há desconhecimento sobre as formas mais impactantes de a implementar. Através de maiores eletrificação e digitalização, a utilização de energia doméstica pode ser melhor medida, controlada e transferida para fontes mais renováveis.
Michael Lotfy Gierges, Executive Vice President of Home & Distribution da Schneider Electric


