O atual contexto económico e geopolítico está a levar empresas a repensar a forma como organizam o trabalho, gerem recursos e projetam o crescimento. Tensões internacionais com impacto nas cadeias de abastecimento, pressão inflacionista e fenómenos meteorológicos extremos têm contribuído para um ambiente de incerteza que desafia a resiliência das organizações.
De acordo com o mais recente barómetro europeu da consultora ERA Group, cerca de 23% das empresas portuguesas antecipam quebras na faturação ao longo do ano, um indicador de que a eficiência organizacional se tornou um fator crítico de competitividade.
Para João Costa, Country Manager do grupo, este cenário exige uma abordagem mais estratégica à gestão. «Este ano tem vindo a reforçar a importância de planear com rigor, monitorizar de forma contínua e pensar estrategicamente o crescimento. Já não basta encarar a redução de custos como única alavanca; é fundamental preparar as organizações para contextos voláteis», afirma.
Segundo o responsável, investir no capital humano e adaptar os processos internos será determinante para garantir crescimento sustentado num contexto de mudança acelerada.
Tecnologia redefine modelos operacionais
A adoção de ferramentas digitais está a ganhar um papel central na transformação das empresas. Tecnologias como inteligência artificial, blockchain ou Internet of Things permitem automatizar tarefas repetitivas e libertar tempo para funções de maior valor estratégico.
Em diversos setores, estima-se que entre 20% e 40% das tarefas possam ser automatizadas. Esta transformação está a levar organizações a repensar perfis profissionais, funções e modelos operacionais, com impacto direto na produtividade e na eficiência dos processos.
Escassez de talento pressiona empresas
A dificuldade em recrutar profissionais qualificados continua a ser um dos principais entraves ao crescimento das empresas. Um estudo recente da ManpowerGroup indica que 82% das empresas em Portugal enfrentam dificuldades na contratação.
O problema é particularmente evidente nos setores industrial, tecnológico e de serviços de IT, bem como na hotelaria, restauração e nas áreas pública e da saúde. A escassez de talento tem vindo a pressionar salários, custos operacionais e prazos de execução, reforçando a necessidade de investir na formação e qualificação profissional.
Pressão sobre produtividade aumenta
Com equipas mais reduzidas e maiores exigências de eficiência, muitas organizações estão a intensificar o foco na produtividade. Em Portugal, onde os níveis de produtividade permanecem abaixo da média europeia, empresas procuram otimizar processos e eliminar tarefas sem valor acrescentado.
A definição de objetivos mensuráveis, a gestão mais eficaz do tempo e a melhoria contínua dos processos são apontadas como estratégias essenciais para garantir maior consistência nas margens operacionais.
Decisões mais rápidas em ambientes incertos
A volatilidade económica e geopolítica está a encurtar os ciclos de decisão dentro das organizações. Empresas com maior autonomia operacional e estratégias de crescimento a longo prazo tendem a responder com mais rapidez às mudanças do mercado.
Essa capacidade de adaptação pode representar uma vantagem competitiva significativa, sobretudo em setores mais expostos à pressão de custos e às oscilações das cadeias de abastecimento.


