Que cultura RH deve ser posta em prática neste “novo normal”?

As organizações tiveram de adaptar-se rapidamente ao trabalho remoto, às reuniões virtuais e ao desenvolvimento de um novo conjunto de habilidades de comunicação. Isto levou a questionar formas de trabalhar e a encontrar soluções para criar com sucesso uma força de trabalho mais adaptável e resiliente. E a Gestão de Pessoas foi desafiada a assumir um papel central nesta transição – nunca houve uma melhor altura para fazer parte desta área. Os Recursos Humanos que não se concentrem na mudança não sobreviverão. Quais as condições comportamentais e sociais necessárias para que as organizações se adaptem com sucesso a uma nova cultura que coloca as pessoas no centro de tudo o que fazem? Que cultura organizacional estamos a construir? É a incerteza o “novo normal”?

Ana Porfírio, Diretora de Recursos Humanos da Jaba Recordati, explicou à Líder que a «cultura organizacional no pós-COVID-19, muito por força do que temos vivido e continuaremos a viver até estabilizarmos numa outra realidade, terá de ser mais musculada e ágil mas não necessariamente diferente na sua essência. Deverá ser a sua melhor versão, mais integrada e mais vivida, necessariamente. Esta pandemia acelerou a integração do digital no dia-a-dia de trabalho dos profissionais de uma forma impositiva, acrescido de uma deslocalização do trabalho para dentro de casa de cada um. Não é teletrabalho na sua forma clássica, é uma outra forma de estar e trabalhar em casa, com família também em casa a trabalhar e/ou a estudar ou de férias escolares que impõe mais flexibilidade, adaptação, resiliência e disponibilidade, e onde os papéis se cruzam e até interligam. Adicionalmente, a forma de gerir pessoas à distância primeiro, e agora num sistema por vezes misto, também requereu novas competências por parte dos gestores, mais proximidade mesmo que à distância, outras formas de comunicar, acompanhar e motivar as suas equipas. A sensação que tenho é que num curto espaço de tempo fomos todos muito esticados e desafiados, obrigando a um crescimento forçado com as respetivas dores que decorrem do ambiente de incerteza que hoje, mais do que nunca, vivemos. O mais importante agora é não perder aquilo que se ganhou em crescimento, em elasticidade e plasticidade, e integrar este desenvolvimento e estas novas ou melhores competências, formas de trabalhar e gerir numa mesma cultura, mas melhor, mais crescida e movida pelo propósito da organização.».

 

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