O setor farmacêutico enfrenta, atualmente, desafios significativos que levarão a uma queda na produção em 2026, apesar de ter capital sólido, solvência e liquidez.
De acordo com um estudo recente da Crédito y Caución, o setor poderá sofrer uma queda de oito pontos percentuais, atingindo os 1,6%, após ter fechado 2025 com um aumento de 9,1%, devido à antecipação de compras que ocorreram para evitar as novas tarifas.
Embora os EUA tenham concedido isenções à maioria dos grandes produtores farmacêuticos e tenham sido negociados limites máximos com diversos países, existe ainda o risco de uma nova escalada tarifária depois do presidente dos EUA ter anunciado taxas de 100% para medicamentos de marca ou patenteados que não sejam fabricados nos Estados Unidos.
Patentes em risco e desaceleração de produção
Outro fator preocupante para o setor é a previsão de uma queda nas patentes, já que os medicamentos mais vendidos em oncologia, imunologia e metabolismo enfrentam a perda de exclusividade nos próximos anos. De facto, estima-se que as 15 patentes mais importantes expirarão na próxima década.
Por outro lado, os cortes que alguns países estão a realizar nos gastos com saúde podem afetar o investimento em I+D, dado o elevado custo envolvido no desenvolvimento de novos medicamentos. No caso da Europa, o relatório da seguradora de crédito prevê uma forte desaceleração da produção, que descerá para 3,7%, após encerrar 2025 com um crescimento de 21,6% devido à antecipação de compras, que beneficiaram particularmente a Irlanda (41%).
Atualmente, as tarifas sobre produtos farmacêuticos da União Europeia mantêm-se limitadas a 15%. O Reino Unido garantiu uma tarifa de 0% sobre as exportações para os EUA, em troca de uma concessão significativa no preço dos medicamentos.
A perspetiva de procura por produtos farmacêuticos na Europa é forte, tanto a médio como a longo prazo, devido ao envelhecimento da população. No entanto, as empresas enfrentam desvantagens competitivas, à medida que cada vez mais empresas deste setor investem nos Estados Unidos e na China, o que acaba por ter impacto no desenvolvimento de projetos de inovação ou ensaios clínicos. Além disso, há pressão permanente das autoridades de saúde para reduzir os preços de fármacos e medicamentos, o que pode acabar por afetar as margens comerciais.
A procura por medicamentos vai aumentar, mas empresas devem redefinir-se
Em conclusão, o setor farmacêutico beneficia de fatores sociodemográficos que impulsionam a sua atividade, como o envelhecimento e o excesso de peso da população, que impulsionarão a procura por produtos especializados com elevado valor acrescentado para doenças crónicas, bem como por medicamentos genéricos.
No entanto, muitas empresas terão de redesenhar as suas estratégias para conseguirem lidar com a política comercial errática dos EUA, seja fazendo investimentos significativos para transferir as suas fábricas para território norte-americano para evitar tarifas, seja através do ajustamento de custos ou margens, caso tenham de suportar as novas tarifas.


