Quer gerir pessoas de forma mais eficiente e digital? A Factorial sabe como

E se fosse possível ter toda a gestão relacionada com as pessoas conectada? E tudo isto centralizado numa única solução digital? A Factorial procura facilitar a vida dos gestores de Pessoas através da digitalização de processos da área. E mais, quer libertá-los para que possam dedicar-se à estratégia da empresa e ao desenvolvimento dos colaboradores.

Três engenheiros juntaram-se para resolver os problemas da Gestão de Pessoas, os mais gerais e administrativos, e criaram a Factorial. «A nossa missão é ajudar outras empresas e profissionais a tomar melhores decisões de negócio com base em dados. Isto significa que resolver problemas administrativos de Recursos Humanos é apenas o início», conta Jordi Romero, CEO da Factorial.

Os mais entendidos em números já se aperceberam que a origem do nome da empresa advém da função matemática – factorial – que reflete o crescimento em estado puro. A Factorial trabalha para o crescimento das empresas e para o desenvolvimento dos colaboradores em prol de culturas corporativas eficientes.

A startup de tecnologia espanhola iniciou este ano a expansão para o mercado português e brasileiro. Ao todo, são 90 colaboradores divididos num escritório em Barcelona e em diversas partes do mundo, do Porto, à Escócia ou até mesmo ao interior da Alemanha.

Hoje, pode afirmar que mais de 60 mil empresas já utilizaram o seu software. «O cálculo que fazemos é que daqui a três anos, pelo menos um milhão de utilizadores interajam com a nossa aplicação diariamente». De notar, que a aposta no aperfeiçoamento do produto e serviço é uma constante. E a recente ronda de financiamento de 15 milhões de euros vai permitir investir no recrutamento de mais especialistas e em novas ferramentas.

A Factorial foi fundada em Barcelona no final de 2016 por Pau Ramon (CTO), Bernat Farrero (CRO) e Jordi Romero (CEO). Como surgiu a ideia de criar a empresa?
Nós, fundadores, que somos engenheiros, estamos sempre a tentar resolver problemas com os quais nos deparamos. Anteriormente, tínhamos cargos executivos em empresas de rápido crescimento e ficávamos frustrados por não existir uma tecnologia que nos ajudasse a expandir a nossa organização, desenvolver o nosso talento e recrutar as pessoas mais inteligentes/ os melhores talentos disponíveis. Havia ótimas ferramentas para escalar a organização nas vendas, nas estratégias de marketing e até algumas para ajudar nas finanças. Mas não havia nada para desenvolver o talento.
Analisámos o mercado e vimos alguns fornecedores centrados nos EUA, startups muito pequenas de Silicon Valley a crescer rapidamente. Mas nada que realmente ajudasse a resolver o problema de uma empresa de média dimensão em todo o mundo. Sabíamos como criar software, sentimos esta “dor” e identificámos uma enorme oportunidade de mercado, por isso decidimos criar a Factorial.

Apresentam-se como uma empresa de software de serviços dedicada a solucionar problemas de Recursos Humanos. Qual é a vossa missão?
É ajudar outras empresas e profissionais a tomar melhores decisões de negócio com base nos dados das pessoas. Isto significa que resolver problemas administrativos de Recursos Humanos é apenas o início. Não é por isso que existimos, mas é uma etapa necessária, para garantir que possamos libertar líderes e gestores de RH em geral. Para que deixem de se focar em tarefas gerais e administrativas e possam dedicar-se ao que interessa: ao desenvolvimento e crescimento das pessoas.

Tem como claim “Tudo o que precisa para gerir os seus processos de RH”. De que recursos a Factorial dispõe para melhorar a Gestão de Pessoas das empresas?
Hoje, contamos com diversas funcionalidades, focadas tanto nos funcionários, como nos gestores e no departamento de recursos humanos. Desde as funcionalidades que todos utilizamos no nosso dia a dia, como o relógio de ponto online e a ferramenta para solicitar férias e ausências, até opções mais complexas.
Mais recentemente, lançámos novas funcionalidades focadas na performance, como as avaliações de desempenho e os relatórios de recursos humanos. Além disso, também contamos com uma opção personalizável de portal de carreiras. Nela, é possível criar o seu próprio portal de carreiras, monitorizar as candidaturas e a jornada do funcionário desde o momento em que é candidato.

Na prática, o que oferecem estas diferentes soluções?
Além de economizar tempo, não só do diretor de RH, como dos colaboradores em geral, procuramos centralizar todos os processos que envolvem a gestão de pessoas num único sítio. Cada um dos colaboradores possui um perfil único. Nele, estão guardadas de maneira segura todas as informações pessoais e documentos de cada funcionário e todos os dados relacionados com a equipa.
Isso significa que já não é necessário enviar centenas de emails por mês, com os recibos de vencimento ou notificar individualmente cada funcionário para que não se esqueça de registar o seu horário. Toda a gestão relacionada com as pessoas está conectada.
No final, as automatizações da Factorial ajudam a equipa de RH a poupar pelo menos 10 horas por mês com tarefas manuais. Além de poupar dinheiro, já que a empresa contratará uma plataforma ao invés de ter distintas ferramentas para os diferentes aspetos da gestão de pessoas. Sem contar com a monitorização do horário de trabalho, que ajuda as empresas a economizar nas horas extras e a melhorar o rendimento de cada funcionário.

Como se distinguem da concorrência?
Decidimos desde o primeiro dia que não queríamos limitar-nos a uma região específica. Embora os Recursos Humanos sejam bastante locais, sabíamos que queríamos encontrar uma maneira de ter impacto global com esta ideia. Por isso, desde o nosso produto até a nossa comunicação, é desenvolvido segundo o lema “think globally, act locally”.
Também decidimos que, de todo o espectro de empresas que existem, as mais pequenas, digamos de 0 a 50 colaboradores, podem perceber de tudo, reunidas em torno de uma mesa à conversa. Depois de ter mais de 50, 100, 200 funcionários, não há como ter uma boa visibilidade de tudo o que está a acontecer.
Somos um exemplo disto: crescemos de 25 para 75 pessoas muito rapidamente e já nem sei o nome de todos, especialmente com a situação atual do coronavírus em que não podemos ver-nos cara a cara no escritório, o que é um desafio. Imagine que trabalha numa empresa de 250 pessoas. Como é possível ter uma visão geral de tudo o que está a acontecer? E, por outro lado, as empresas de 5 mil, 20 mil e 200 mil funcionários, são muito complexas e já há muito trabalho realizado com grandes players. Como Oracle, SAP e outros ERPs, que após dois anos de integração se adaptam aos processos das grandes empresas.
Na Factorial focamo-nos nas empresas de médio dimensão, que são uma parte enorme do mercado. São negócios que começam a ter problemas reais por não terem visibilidade dos dados das suas equipas e que podem encontrar muito valor numa solução extremamente intuitiva e fácil de usar como a Factorial.
Portanto, a nossa ideia de negócio passa por despertar o interesse de uma empresa, basicamente através de marketing, o que significa que são as empresas a encontrarem-nos e não o contrário. Depois, mostramos-lhes que resolvemos muitos “people problems” e geramos muitos dados úteis, permitimos que eles se inscrevam e experimentem o nosso produto de forma gratuita. De seguida, oferecemos a possibilidade de atualização. Isto é chamado de modelo de software como serviço de teste gratuito, em que cobramos uma taxa por funcionário por mês, que fica à volta de três a quatro euros, com potenciais descontos consoante o número.

Qual é o impacto positivo da Factorial no contexto de uma pandemia?
Um dos nossos principais objetivos é facilitar a vida dos profissionais de recursos humanos e este processo passa pela digitalização do setor de recursos humanos e agora, mais do que nunca, as empresas apoiam-se em soluções digitais.
Estamos a trabalhar a partir de casa e, como consequência, muitas tarefas diárias que envolvem os funcionários e os recursos humanos tiveram que ser adaptadas a esta nova realidade. Isso inclui enviar e assinar documentos eletrónicamente, verificar horários de trabalho, solicitar dias de folgas ou avaliar o desempenho de um colaborador. Todas estas opções são possíveis através do nosso software que, por estar na nuvem, pode ser acedido desde qualquer computador ou da nossa aplicação.
Além disso, estamos a oferecer novas opções que facilitam o registo do horário de trabalho de qualquer lugar. Para as empresas que começaram a voltar agora para o escritório, disponibilizamos o relógio de ponto por código QR como uma solução para as empresas em que os trabalhadores utilizam a impressão digital para picar o ponto. Isto evita que centenas de pessoas toquem na mesma superfície e assim não espalhem ainda mais o vírus.
Por último, vale destacar a opção de geolocalização do nosso relógio de ponto digital, que permite que os gestores saibam de onde e como os funcionários estão a picar o ponto.

A startup de tecnologia espanhola está agora a expandir-se para o mercado português e brasileiro. Quando é que se vai concretizar este plano de expansão?
O plano de expansão já começou! Temos responsáveis tanto em marketing como em vendas para os mercados lusófonos. Estamos a produzir incansavelmente conteúdos em português para atender à procura deste mercado. Além de realizar mudanças na plataforma para que esta se adapte tanto ao mercado português quanto a outros novos mercados, como o francês ou o alemão.
Neste momento, já temos alguns clientes em Portugal. Além daqueles que “herdámos” de Espanha, como Cooltra ou a Fever, que possuem escritórios em ambos os países, também já temos no nosso portefólio empresas como: Celfocus, Full Fabric e Visor.ai.

Têm já quantos clientes e em que países?
Começámos a trabalhar com centenas de pequenas empresas, principalmente em Espanha, em 2017. Em 2018, passámos a ter centenas de empresas com mais de cem funcionários. E então, durante 2019, demos o salto para adquirir clientes em mais de 40 países, de 10 a 1200 funcionários, de diferentes partes da Europa e dos EUA, principalmente. Hoje, podemos afirmar que mais de 60 mil empresas já utilizaram o nosso software de recursos humanos.

Qual é a estratégia para Portugal?
Além de termos uma equipa dedicada que conhece o mercado e tem experiência no setor, trabalhamos mais nas funcionalidades que mais se adequam às necessidades das empresas portuguesas.
Vemos que muitas empresas em Portugal ainda utilizam métodos antiquados, como o Excel ou inclusive anotar tudo em papel para lidar com o dia a dia dos recursos humanos. Hoje o que fazemos é educar essas empresas para que percebam que é possível gerir o seu departamento de RH de maneira muito mais eficiente.

Como é composta a equipa globalmente?
Contamos com um escritório em Barcelona. Mas com trabalhadores que atualmente estão em diversas partes do mundo, no Porto, na Escócia e no interior da Alemanha, por exemplo.
Já somos 80 funcionários divididos em distintas áreas. Como somos uma empresa “product oriented”, 25 membros da equipa estão na área de desenvolvimento. Ter uma equipa tão grande de engenheiros e programadores pode parecer muito para o tamanho da Factorial, mas é importante para alcançar a qualidade do produto que queremos. Como valorizamos muito o design do nosso software, trabalhamos com uma equipa de 10 designers que trabalham exclusivamente nesse sentido. Marketing e vendas contam cada um com 15 pessoas, divididas em diferentes funções e mercados foco. E os demais funcionários estão divididos entre recursos humanos, operações, customer success e management. Hoje, já trabalhamos com pessoas de 25 nacionalidades e falamos todos os dias distintos idiomas entre nós.

Quais são as prioridades da empresa neste momento?
Há dois meses tivemos uma ronda de financiamento de 15 milhões de euros para aperfeiçoar o nosso produto e serviço. Isto significa investir em profissionais altamente qualificados e em novas ferramentas que nos ajudarão nesse processo. Além de melhorar o nosso sistema para as empresas que já utilizam a Factorial, queremos ir mais além. Por isto, a nossa equipa já está a desenvolver novas funcionalidades que se adequem aos novos mercados, entre eles, Portugal. A equipa de serviço ao cliente também está a crescer. Assim, podemos dar uma atenção personalizada a cada uma das empresas nos quatro cantos do mundo.

Como imagina o negócio daqui a dois anos?
A nossa visão é que todos nas organizações possam tomar decisões comerciais inteligentes com base em dados, o que não era possível antes. Para isso, significa que precisamos de ser capazes de ter uma disseminação massiva, então é preciso existir uma tonelada de empresas que nos utilizem, e precisamos estar com problemas suficientes para que a quantidade e a qualidade dos dados que possamos expor sejam realmente úteis para tomar decisões de negócios. Definitivamente queremos ter esse impacto, que faz parte da missão da empresa. O cálculo que fazemos é que daqui a três anos, pelo menos um milhão de utilizadores interajam com a nossa aplicação diariamente.

E que conselhos daria aos seus clientes nesta fase de pandemia?
As empresas aceleram o seu pensamento por trás do departamento de RH e entendem que não se trata apenas de gerir pessoas e otimizar recursos. Na verdade, trata-se de desenvolver totalmente o talento que eles têm disponíveis.

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