Quer saber se tem as competências do futuro?  

Pode não adivinhar o futuro, mas pode preparar-se para ele! Vivemos num mundo em transformação. A tecnologia digital, a automação e a inovação disruptiva introduzem incerteza, complexidade e ambiguidade no nosso dia a dia. A globalização e a “network society” alteram a forma como negócios e pessoas se relacionam e interagem. A dinâmica do mercado de trabalho está consequentemente a sofrer alterações profundas.

Em todo o mundo, estudos prevêem uma redução significativa do número de postos de trabalho, maioritariamente decorrente da automatização e robotização, e alertam para a necessidade de atualização ou mesmo aquisição de novas competências. Portugal não é exceção, de acordo com as conclusões de um estudo divulgado no início do ano transato pela CIP, até 2030 haverá uma redução de cerca de 1,1 milhões de empregos decorrentes da automatização de tarefas repetitivas ou de manuseamento de dados e informação, em todos os sectores de atividade. A par da extinção de postos de trabalho novos empregos serão criados, exigindo competências técnicas e comportamentais distintas.

Esta alteração do perfil requerido pelas organizações impacta igualmente na própria manutenção do emprego e exigirá de todos nós a atualização e aquisição de novos conhecimentos e competências.

Mas será que basta? O contexto e a velocidade com que as mudanças ocorrem nos dias de hoje fazem com que os conhecimentos e competências valorizados pelas organizações estejam em constante mutação. O que hoje é altamente valorizado dentro de alguns anos simplesmente será ultrapassado por novos requisitos, alguns dos quais não vislumbramos sequer ou para os quais não é atualmente possível prepararmo-nos, na medida em que ainda não existem. Este aspeto tem implicações na forma como qualquer profissional deverá encarar a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos e competências ao longo da sua vida profissional, ressaltando a importância do desenvolvimento das soft skills uma vez que elas serão cruciais no futuro para o seu sucesso profissional.

Quais as competências necessárias para fazer face aos desafios do futuro? Diríamos que cinco “skills” são fulcrais:

  1. Curiosidade e vontade de aprender
    Temos que estar preparados para “aprender, desaprender e aprender de novo” ou seja, tornarmo-nos “adaptative and long life learners”, na medida em que o valor de uma organização assenta cada vez mais na capacidade do seu capital humano responder positiva e continuadamente às solicitações impostas pelos novos contextos. Assim, temos que nos incentivar a continuamente questionar, pensar e a pôr em causa os nossos próprios conhecimentos e certezas. Vamos aprender com o feedback, a divergência de opiniões, a partilha de experiências e com os nossos próprios erros, não os vendo como um fracasso, mas como uma oportunidade de aprendizagem.

2. Criatividade e inovação
Num mundo em que a tecnologia nos substituirá nas tarefas mais repetitivas e “enfadonhas”, o valor de uma organização assentará cada vez mais na sua capacidade de diferenciação. Assim, a criatividade e inovação assumirão sem dúvida um papel fundamental, na medida em que o sucesso futuro dos atuais modelos residirá na capacidade das organizações se reinventarem continuamente.
Para inovar há que também reforçar o sentido de propósito individual e organizacional e ter uma mente aberta face a novas ideias, perspetivas e experiências. Não ter medo de errar e de assumir riscos afigura-se igualmente como crítico enquanto traços comportamentais que importa desenvolver.

3. Colaboração
A capacidade de trabalharmos e de resolvermos problemas complexos em colaboração, seja nas atuais estruturas organizativas ou integrados em equipas de projeto multifuncionais, assumirão um papel fulcral para as organizações. Importa por isso desenvolver competências de trabalho em equipa e de relacionamento interpessoal. A tendência para uma crescente interação com profissionais de diferentes culturas e gerações reforça a necessidade de desenvolvermos estas últimas competências. A colaboração entre equipas em contexto virtual continuará também a aumentar seja pela globalização ou pelas atuais tendências de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, em que o teletrabalho para muitas organizações é uma tendência que veio para ficar.

4. Inteligência emocional e social
Num mundo cada vez mais automatizado em que a inteligência artificial começa a assumir maior expressão no nosso dia a dia, algoritmos e robôs irão facilmente reproduzir certos aspetos da interação humana. Contudo, será mais difícil, pelo menos a curto prazo, identificarem e reproduzirem emoções humanas, bem como reagirem em funções dessas mesmas emoções. Assim, o desenvolvimento da inteligência emocional e social incluindo perceção social, persuasão e negociação assume um papel de relevo, em particular num contexto de maior “achatamento” e agilidade de estruturas organizativas em que as relações funcionais e de projeto se irão sobrepôr às relações hierárquicas tradicionais. Esta competência, que tem vindo a assumir um papel de maior relevo em muitas organizações, irá ser vital no futuro, na medida em que é claramente uma vantagem competitiva da espécie humana face às máquinas.

5. Liderança pessoal e de equipas
Hoje, e com maior ênfase no futuro, a liderança pessoal e de equipas é uma competência fundamental, em particular se atendermos às atuais tendências de políticas de trabalho flexíveis e de trabalho remoto que a atual crise pandémica veio acelerar. No futuro, os líderes de equipa terão que ter esta competência bastante desenvolvida na medida em que necessitarão de motivar, inspirar, orientar e desenvolver os seus colaboradores, mesmo quando não estiverem fisicamente no mesmo lugar. Líderes capazes de incentivar as suas equipas a inovar, a assumirem riscos calculados, deixando de parte uma cultura de “penalização” pelo erro irá ser igualmente fundamental para a resolução de problemas cada vez mais complexos e para promover a inovação nas organizações.

Na nossa opinião, é este conjunto de competências que, não sendo facilmente replicáveis por tecnologias de inteligência artificial, irá permitir que atuemos como agentes de mudança e de inovação nas organizações, contribuindo ativamente para o sucesso individual e coletivo.

Cabe também às empresas, e em particular aos líderes, despertarem a necessidade e prepararem as suas equipas para adquirirem as competências que no futuro serão imprescindíveis para o sucesso das organizações.

Repensar modelos de competências, mapear competências existentes na organização, efetuar o (re)skilling de competências dos colaboradores, desenvolver internamente ou simplesmente adquirir competências externas, afiguram-se passos necessários devendo, por conseguinte, fazer parte das “agendas” da(s) área(s) de Gestão de Pessoas.


Por Isabel Marques, senior manager da Bright Concept

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