“Queremos beneficiar da posição geográfica no meio do Atlântico”, ambiciona o Secretário de Estado de Cabo Verde

Cabo Verde tem feito um investimento em inovação orientado para as infraestruturas e educação dos mais jovens na área tecnológica. Durante a primeira Cimeira Lusófona de Liderança, que começou esta semana, ficámos a conhecer alguns desses projetos pela mão de Pedro Lopes, Secretário de Estado para a Inovação de Cabo Verde. Um líder jovem que, apesar de ter nascido em Portugal, é filho de cabo-verdianos e que decidiu regressar ao país dos seus pais, agora como membro do governo.


Numa conversa com Catarina Barosa, co-fundadora da editora portuguesa Tema Central, falou de alguns dos programas que está a desenvolver em Cabo Verde e que representam um sonho seu tornado realidade. Ao nível das infraestruturas, “criámos dois parques tecnológicos nas ilhas de Santiago e em São Vicente; construímos um Data Centre que serve Cabo Verde com sete níveis de segurança, e temos um parque eólico que reforça a conetividade do país.”

Os parques tecnológicos posicionam Cabo Verde como um centro internacional de prestação de serviços e como porta de entrada em África para empresas de referência internacional no setor. “Queremos beneficiar da posição geográfica de Cabo Verde no meio do Atlântico”, destaca o jovem político que, em 2018, com 31 anos, tornou-se o membro mais jovem do atual governo de Cabo Verde ao ser nomeado Secretário de Estado da Inovação e Formação Profissional.

Na área da Educação e do Capital Humano, Pedro Lopes orgulha-se de um projeto inovador lançado nas escolas secundárias do país, um espaço prefabricado, parecido a um contentor de transporte de mercadorias de um barco, que se alimenta de energia solar e onde decorrem workshops de programação e robótica envolvendo turmas de 12 jovens- “esta iniciativa já formou mais de 12 mil crianças.”

Para os desempregados de longa duração, o governo de Cabo Verde tem um curso intensivo da academia de código com 16 semanas para quem queira aprender a programar. Um detalhe importante desta formação é que envolve um período de intermediação laboral, o que significa que os alunos “no final do programa poderão encontrar emprego”, explicou.

Dentro do projeto Cabo Verde Digital os jovens têm a oportunidade de, ao longo de seis meses, desenvolverem uma startup, ganhando durante esse período, e por mês, o equivalente a três vezes o salário mínimo nacional, tendo espaço e Internet gratuitos. “Até agora este programa já apoiou 100 jovens ao longo de um ano.”

De país assistencialista a país que cria oportunidades para as pessoas, é este o futuro de Cabo Verde do ponto de vista de Pedro Lopes. “Cabo Verde será um país de jovens guerreiros digitais, um hub de Tecnologias de Informação e Comunicação para África, que faz também a ligação entre continentes: EUA, Europa e América Latina – tendo a África no centro.

Pedro Lopes e Obama

Pedro Lopes ficou conhecido por organizar a primeiro TEDx de Cabo Verde e por ser o fundador da Geração B-Bright, uma organização de empowerment de jovens. Em 2017 ganhou o prémio “Somos Cabo Verde – Os melhores do ano” na categoria de Inovação e Empreendedorismo e foi selecionado pelo Governo dos EUA para participar no Programa YALI.

Com Obama, com quem fez trabalho comunitário na África do Sul no âmbito do Obama Leaders, um programa lançado pelo ex-Presidente Obama junto de um grupo de jovens líderes africanos, aprendeu que “não nos devemos preocupar onde queremos chegar, mas com a caminhada até lá.” E que “um líder é aquele que consegue ter impacto na vida dos outros.”

Sobre o contacto próximo com o ex-governante dos EUA contou ainda que “é uma pessoa que olha nos olhos das pessoas” e que disse: “se os líderes africanos quiserem fazer a diferença e construir o que não existe, pois é em África que está o futuro.”


A Cimeira Lusófona de Liderança, que decorre ao longo de três dias, 16, 17 e 18 de setembro, reúne virtualmente mais de 20 líderes organizacionais e da sociedade civil para abordar aspetos importantes da liderança nos seus países e no espaço lusófono. O evento conta com a parceria da Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas APG e da Associação Brasileira de Recursos Humanos ABRH Brasil.

Texto Maria João Alexandre

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