Queremos um milagre COVID? Ei-lo, em triplicado

Na nossa encantadora ciclotimia nacional vivemos um momento de enlevo coletivo. Descobrimos que temos afinal um dos melhores SNS do mundo, que somos um povo disciplinado/determinado, que temos um exemplo a mostrar ao globo. Sem querer fazer de desmancha-prazeres, talvez não tenhamos motivos para tanto orgulho patriótico. As coisas podiam ter corrido muito pior? Se podiam! Mas milagre-milagre também não terá havido.

Se quisermos contemplar um aparente milagre, caros leitores, olhemos para o sudeste asiático: Vietname, Laos e Camboja. No início de maio, o número de mortos reportados nestes países era… zero. Desde aí até agora os números podem ter mudado; pode ser que os números sejam falsos. Mas o que se encontra sugere que poderá haver outra explicação, pelo menos no caso do Vietname, o mais populoso dos três: resposta muito rápida depois da aprendizagem com a epidemia SARS, combinada com muita criatividade na abordagem da ameaça.

Por cá, pela Europa, talvez este tenha sido o nosso momento SARS. Mais do que milagres, importa atuar, para citar um título que finalmente serve para alguma coisa, com velocidade furiosa. Se recordamos que o Vietname tem uma população de quase 100 milhões, é caso para dizer que se não é milagre nem fraude, é obra. Na mesma altura em que escrevia estas linhas, a Ilha de Man tinha reportado vinte e duas mortes. População? É só procurar no Sapo.


Por
Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

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