Radar COVID-19: A “Contenção Alargada” da Abaco Consulting

A Líder não quer passar ao lado deste grande desafio de liderança chamado COVID-19 e, por isso mesmo, está a falar com alguns dos principais CEO das nossas empresas e organizações para nos responderem a algumas questões. Neste caso, João Moreira, CEO da Abaco Consulting, explica como está a manobrar a multinacional portuguesa com 200 colaboradores espalhados em Portugal, Brasil, Reino Unido e Suíça.


A Abaco Consulting tem um plano de contingência preparado, que inclui diferentes cenários, nos vários países onde atua. A multinacional portuguesa sedeada no Porto, tem escritórios em Lisboa, São Paulo, Londres e Genebra.

A recente evolução da propagação do COVID-19, fez com que João Moreira, CEO da Abaco Consulting, passasse ao nível de alerta fase 2.2 “Contenção Alargada”, solicitando assim a todos os colaboradores que não se deslocassem aos escritórios e passassem a trabalhar de casa.

Neste momento, João Moreira considera que o mais importante é tranquilizar os colaboradores. “É importante que se dê primazia à comunicação interna e se passe mensagens que incentivem a tranquilidade e o respeito pelas regras impostas. Agora, mais do que nunca, é importante demonstrarmos aos nossos colaboradores que, para nós, o mais importante são as pessoas e o seu bem-estar”, esclarece.

Em entrevista à Líder, o CEO da Abaco Consulting partilha ainda que está já a tomar medidas para o “após a pandemia” e deixa vários conselhos para ultrapassar este momento de crise.

O que é mais assustador nesta crise de saúde pública mundial?
Penso que o mais preocupante nesta pandemia é não termos muito conhecimento relativamente a esta doença. Por mais que achemos que já a compreendemos e identificámos como é que a podemos travar, ainda existe muito desconhecimento e, sobretudo, ainda não conseguimos que toda a sociedade perceba a gravidade da situação e comece a evitar espalhá-la por todo o mundo. Por outro lado, o facto de hoje se viajar muito mais do que há dez anos possibilitou que esta pandemia se espalhasse por todos os países, sem que ninguém desse conta, e quando nos apercebemos, nós, população, já tínhamos relativizado demasiado a sua rapidez e fomos inundados por informações dos media a entrar pelas nossas casas e o pânico social estava já instalado e isso, se não for controlado, poderá ser bastante assustador e muito mais difícil de controlar.

Quais as medidas implementadas para assegurar a saúde dos vossos colaboradores?
Na sequência das recomendações da Direcção-Geral da Saúde e da deteção dos casos do Porto, a Abaco Consulting cancelou, primeiramente, o seu evento interno que ia decorrer no início do mês. Atualmente e considerando a recente evolução da propagação do COVID-19, a Abaco passou ao nível de alerta fase 2.2 “Contenção Alargada”, solicitando assim a todos os colaboradores que não viessem trabalhar para os escritórios e passassem a trabalhar remotamente, exceto alguns colaboradores que, por razões de força maior, precisam cumprir os “serviços mínimos” nos nossos escritórios físicos ou em clientes. Assim, só deverão vir ao escritório se for estritamente necessário, sendo que as reuniões deverão, igualmente, ser realizadas remotamente, exceto em situações em que a urgência o justifique. Por outro lado, a preocupação da Abaco com as suas pessoas tem levado a que a empresa tenha apostado também em realizar comunicações internas de forma regulares de forma a manter os seus colaboradores informados e atualizados.

Que impacto no negócio?
Ao dia de hoje, ainda não conseguimos avaliar o impacto desta crise. Certamente será elevado, até porque temos presença em muito países fora de Portugal e, neste momento, todos eles têm já um grande número de casos, o que se torna impossível manter algumas das empresas a funcionar a 100%.

Como contornar esse impacto? É possível já começar a desenhar algumas medidas a esse nível?
A Abaco é uma empresa que se adapta e estamos, neste momento, já a modificar as nossas formas de contacto com parceiros e clientes, atualmente, estamos a trabalhar de forma remota e, através de ferramentas digitais, manteremos o contacto com estes, uma vez que defendemos que é essencial que percebam que continuamos a apoiá-los e a ajudá-los no que necessitarem. Contudo, isto implica adaptar a forma de trabalho e escolher métodos mais adequados a este modelo de trabalho. Por outro lado, estamos já a tomar medidas para o “após a pandemia”, de forma a nos precavermos e conseguirmos de alguma forma reduzir este impacto no nosso negócio.

Situações complexas em concreto que enfrentam e como pensam atuar?
Atualmente, temos definido e preparado um plano de contingência, que inclui diferentes cenários, quer em Portugal quer nos outros países onde a Abaco marca presença. Consideramos que, o mais importante neste momento, é mantermos a máxima calma e fortalecermos a nossa capacidade de adaptação porque só assim iremos conseguir ultrapassar este momento de crise.

Já tinham vivido um desafio destes?
Não. Sabemos que já existiram outras crises, nomeadamente, a da Gripe H1N1, mas nunca houve uma quarentena tão generalizada ou se tomaram medidas tão drásticas, mas precisas, como as agora tomadas. Esta situação é um desafio à nossa capacidade coletiva de ultrapassar problemas complexos, reforçar o espírito de equipa e solidariedade dentro e fora da organização.

Qual o papel que o Estado deve assumir perante as empresas?
O Estado deve, agora mais do que nunca, ser o parceiro das empresas e deve apoiá-las, no que necessitarem.  O impacto que esta pandemia trará às organizações não será igual para todas, umas sentirão mais do que outras, e isso é inevitável e incontrolável.  Mas é essencial que o Estado perceba a importância de implementar medidas focadas nas empresas, independentemente da sua dimensão, e que as ajudarão na sua recuperação ou pelo menos a diminuir o impacto que possam sentir, tais como: gestão da tesouraria; medidas de incentivo económico que estimulem o consumo, após crise; redução das medidas que tenham impacto fiscal negativo na vida da empresas.

Conselhos que deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações.
Considero que o mais importante é tranquilizar os colaboradores. Neste momento, é importante que se dê primazia à comunicação interna e se passe mensagens que incentivem a tranquilidade e o respeito pelas regras impostas. Agora, mais do que nunca, é importante demonstrarmos aos nossos colaboradores que, para nós, o mais importante são as pessoas e o seu bem-estar. É igualmente importante que entre cliente e fornecedor, parceiro e concorrente se estabeleçam laços de solidariedade ao invés de cada um procurar estratégias de sobrevivência individual. O sucesso na superação desta crise só pode ser coletivo, nunca individual.

E aos portugueses em geral?
Apelo a que respeitem todas as recomendações indicadas pela Direção-Geral da Saúde, não são medidas para prejudicar os portugueses, mas sim, para nos proteger a todos. E, é muito, muito importante que percebam isso. Quando se compara esta pandemia a uma guerra, é essencial respeitar a disciplina no cumprimento das recomendações da DGS. Implementar medidas de higienização, dar primazia ao isolamento e evitar o contacto social é fundamental para conseguirmos eliminar esta pandemia. Manter a calma, atuar de forma responsável e, sobretudo, não contribuir para a divulgação de informação não credível são as ferramentas essenciais para não impulsionarmos o pânico social.

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