Radar COVID-19: O olhar da CIP

A Líder não quer passar ao lado deste grande desafio de liderança chamado COVID-19, por isso mesmo está a falar com alguns dos principais CEO das nossas empresas e organizações para nos responderem a algumas questões. Neste caso, António Saraiva, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, partilha a sua visão sobre a matéria.


António Saraiva é perentório: “Estamos perante uma situação inédita e imprevisível, que toma novos contornos em cada momento” e “(…)nenhum país se encontra plenamente preparado”.

Por isso, a CIP não se coíbe de um acompanhamento constante da evolução da situação, auscultando os associados em permanência e mantendo um diálogo próximo e permanente com o Governo.

De facto, aos graves efeitos sentidos nas atividades relacionadas com o turismo, somam-se agora notícias de perturbações severas em diversos setores industriais, alerta o presidente da CIP.

Por isso, o foco da CIP mantém-se: cumprir a missão de ser a voz das empresas, interpretando os problemas e necessidades de todos os seus associados e defendendo os seus interesses comuns. “O objetivo é o de manter a confiança em toda a comunidade empresarial e garantir que a generalidade das empresas sobrevive às dificuldades atuais e mantém a sua capacidade para impulsionar a recuperação quando as restrições forem levantadas”, afirma António Saraiva.

Em entrevista, via remota, António Saraiva partilha ainda com a Líder alguns conselhos.

Como olha a CIP para esta situação de pandemia provocada pelo COVID-19?
Como uma situação nova e imprevisível, para a qual nenhum país se encontra plenamente preparado. Impedir o seu impacto é já, infelizmente, uma impossibilidade. Atenuá-lo é uma exigência. Ao Estado, exige-se determinação e discernimento na tomada de medidas apropriadas, tanto em termos de saúde pública, como em termos de apoio à tesouraria das empresas e ao emprego. O objetivo é o de manter a confiança em toda a comunidade empresarial e garantir que a generalidade das empresas sobrevive às dificuldades atuais e mantém a sua capacidade para impulsionar a recuperação quando as restrições forem levantadas.

Qual o impacto que se estima que esta situação pandémica possa ter nas empresas do nosso país?
Estamos perante uma situação inédita e imprevisível, que toma novos contornos em cada momento. Não sabemos qual será a duração, a intensidade ou o nível de dispersão da pandemia. Consequentemente, também não é possível termos uma estimativa credível do seu impacto económico.

Já há casos que mereçam uma atenção especial?
Aos graves efeitos sentidos nas atividades relacionadas com o turismo, somam-se agora notícias de perturbações severas em diversos setores industriais.
Um dos maiores grupos contratantes da indústria portuguesa de vestuário cancelou todas as encomendas que ainda não foram produzidas; a indústria extrativa reporta problemas de abastecimento de material de desgaste, de redução da procura e de falta de contentores e transportadores por via marítima; a cerâmica dá conta de casos de cancelamento de todas as encomendas colocadas para entrega durante os meses de maio e junho.
Estes são apenas alguns dos recentes casos de que tivemos conhecimento.

O que tem a CIP pensado para poder apoiar as empresas durante e após a pandemia?
Um acompanhamento constante da evolução da situação, auscultando os nossos associados em permanência. Um diálogo próximo e permanente com o Governo, reportando a realidade, procurando respostas, avaliando e discutindo medidas. Em suma, cumprindo, neste contexto, a nossa missão de ser a voz das empresas, interpretando os problemas e necessidades de todos os seus associados e defendendo os seus interesses comuns.

Este é um desafio para as lideranças das organizações. Que tipo de conselhos lhes pode endereçar neste momento?
Evitar alarmismos contraproducentes. Lucidez. Rapidez, flexibilidade e adaptabilidade nas respostas. Solidariedade, também.

O Governo tem estado a fazer o que é preciso ou considera que deve ir mais além para não acontecer o que se está hoje a passar em Itália?
Confio na determinação e discernimento do Governo português em termos de medidas de saúde pública. Noto, a este nível, a preocupação pela proporcionalidade nas medidas a tomar, tendo em conta as perturbações económicas e sociais que daí possam advir. Quanto à resposta às empresas, é certo que algumas das medidas que foram apresentadas precisam de ser ajustadas, sobretudo na sua abrangência, mas são um primeiro passo positivo. O diálogo com os representantes empresariais tem sido constante e construtivo e estão já previstas reuniões semanais com os parceiros sociais. Existe a consciência de que a resposta deverá ser dinâmica, conforme o exigir a evolução da situação.

Já tinha vivido alguma situação destas?
Nunca, obviamente.

O medo e o pânico descontrolados podem ter efeitos mais adversos do que a própria doença, por isso, que conselhos deixa aos portugueses?
Discernimento, prevenção e civismo. Solidariedade, sempre.

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