Radar Portugal: O que precisamos mudar?

Até ao dia das eleições legislativas, 30 de janeiro, a Líder vai publicar diariamente as opiniões e contributos de várias personalidades a quem foi lançado o desafio de responderem à pergunta: O que precisamos mudar?

Homens, mulheres, jovens, seniores, caucasianos, negros, crentes e não crentes, qualquer que seja a orientação sexual terão a sua opinião na Líder e serão capa. Na verdade, esta iniciativa surge no seguimento de uma capa publicada por outro órgão de comunicação social onde só era refletida a opinião de homens, 14 homens.

A justificação foi a ausência de respostas de mulheres. A Líder contactou 14 mulheres e responderam 12. A taxa de participação foi de 85,7%. A seguir continuaremos com mais 14 personalidades de cada um dos grupos referidos.

Na Líder, a capa é para Todos.

Carmo Palma é Managing Director da Axians Portugal

Quando penso no que gostava que mudasse em Portugal, a lista é naturalmente longa, desde a reforma fiscal, um sistema de justiça eficaz, uma “máquina” pública mais leve, mais inovação no tecido empresarial, passando por comportamentos mais sustentáveis, humanistas, inclusivos, entre tantos outros.

Mas, obrigando-me a fazer uma escolha, gostaria que 2022 fosse marcado pela disrupção da Educação em Portugal!

Nos dois últimos anos assistimos a várias mudanças na nossa sociedade e em todos os setores de atividade. A pandemia provocou ação e foi muito interessante testemunhar várias transformações a acontecerem, obrigatórias para sobreviver. E esta transformação foi transversal em toda a sociedade e nos negócios.

Qualquer mudança, por ser difícil e exigir esforço, necessita sempre de um estímulo. Esse estímulo pode ser por receio de perdas, por medo – como aconteceu durante a pandemia – ou pode ser por ambição de realizar grandes obras, por vontade de fazer bem e acreditar em algo que pode ser ainda incerto.

E é este facto que me leva a destacar a Educação, como a área que gostaria de ver profundamente transformada em Portugal, em 2022. Porque só com uma população “educada e desenvolvida” é que podemos continuar a mudar e a transformar o país; que podemos ser críticos em relação à informação que nos chega todos os dias; e, que podemos fazer as escolhas certas e ter o comportamento adequado. É com Educação que conseguimos caminhar na direção certa, sem depender de evidências no presente porque, quando estas existirem, pode já ser tarde. É com Educação que abraçamos a mudança, não por medo, mas com o estímulo certo, de querer fazer bem.

Desejo que em 2022, em Portugal, se transforme a Educação nas escolas e no ensino superior; que se aumente a oferta de cursos profissionais e a oferta de programas de conversão profissional, como o UpSkills; e, que se aumente o investimento em formação nas empresas.

Desejo que se evolua o formato que temos hoje, em que um conjunto de crianças ou jovens à mesma hora, no mesmo local, com o mesmo ritmo, ouvem alguém a partilhar conteúdo, para um modelo que se privilegie o trabalho em equipa, o desenvolvimento cognitivo, a criatividade e menos a memorização. Desejo que se aumentem os conteúdos tecnológicos e de sustentabilidade, incontornáveis em qualquer profissão no contexto atual, e que se tenha a coragem para reduzir as licenciaturas de baixa empregabilidade.

A formação e o desenvolvimento humano são críticos ao longo da nossa vida. Com as mudanças cada vez mais rápidas e frequentes, temos de ter em Portugal programas de conversão profissional e, cada um de nós, individualmente, e também as empresas, têm um papel fundamental nessa educação contínua. Neste ponto, mais do que um desejo para 2022, assumo o meu compromisso pessoal, no meu perímetro de atuação.

Investir na Educação é crítico e basilar. É uma corrida de fundo, que não traz resultados imediatos, e que por isso, tende a ser adiada. Desejo que 2022 seja um ano em que as empresas, o Governo e cada um de nós, contribua para transformar a Educação no nosso país, e, assim, transformar Portugal.

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