Todos os anos, milhares de portugueses ficam à espera da mesma notificação no telemóvel ou da entrada na conta bancária: o reembolso do IRS. Para muitos, representa um alívio nas despesas, férias pagas ou simplesmente algum fôlego financeiro. Mas afinal, quanto tempo demora a Autoridade Tributária a devolver o dinheiro? E porque é que alguns contribuintes recebem em poucos dias enquanto outros esperam meses?
A campanha do IRS de 2026, relativa aos rendimentos de 2025, arrancou a 1 de abril e decorre até 30 de junho. O prazo é igual para todos os contribuintes, independentemente do tipo de rendimentos declarados.
Quem tem direito a reembolso?
O reembolso acontece quando o contribuinte pagou mais imposto ao longo do ano do que aquilo que realmente devia. Isso acontece sobretudo através da retenção na fonte feita nos salários ou pensões.
Na prática, depois de a Autoridade Tributária fazer as contas finais — aplicando deduções, benefícios fiscais e taxas de IRS — pode concluir que houve imposto pago a mais. Nesses casos, o valor é devolvido ao contribuinte.
Quanto tempo demora o reembolso?
Não existe um prazo fixo igual para todos, mas há estimativas médias.
Segundo o Governo, os contribuintes abrangidos pelo IRS Automático deverão receber o reembolso em menos de 15 dias após a entrega da declaração. Já as declarações entregues manualmente podem demorar, em média, entre três e três semanas e meia.
Ainda assim, o prazo legal máximo para a Autoridade Tributária processar o reembolso é 31 de agosto, desde que a declaração tenha sido entregue dentro do prazo normal.
Em termos práticos, quem entrega a declaração logo em abril tende a receber primeiro. Já quem deixa tudo para junho pode acabar por esperar até ao final do verão.
O que pode atrasar o pagamento?
Há vários fatores que podem atrasar o processamento do IRS:
- erros ou divergências na declaração;
- IBAN incorreto ou desatualizado;
- anexos mais complexos, como rendimentos estrangeiros ou mais-valias;
- validações adicionais da Autoridade Tributária;
- entrega fora do prazo.
Também é frequente haver atrasos nos primeiros dias da campanha devido a ajustes técnicos no sistema. Em fóruns online e comunidades de literacia financeira, vários contribuintes relatam que preferem esperar alguns dias antes de submeter a declaração precisamente para evitar erros iniciais da plataforma.
Como consultar o estado do reembolso?
O estado da declaração pode ser acompanhado através do Portal das Finanças. Entre os estados mais comuns estão: rececionada; declaração certa; liquidação processada; reembolso emitido; pagamento confirmado.
Quando surge o estado ‘reembolso emitido’, significa normalmente que a transferência já foi enviada para o banco e o dinheiro deverá entrar na conta nos dias seguintes.
Entregar cedo continua a ser a melhor estratégia
Apesar de o prazo terminar apenas a 30 de junho, especialistas continuam a recomendar a entrega o mais cedo possível — mas evitando os primeiros dias da campanha, quando surgem frequentemente falhas técnicas ou atualizações no sistema.
Além disso, validar faturas no e-Fatura, confirmar o agregado familiar e garantir que o IBAN está correto continua a ser essencial para evitar atrasos desnecessários.


