Regras de Etiqueta na Era do distanciamento social

Num artigo para a revista 1843 do grupo The Economist, o jornalista Adrian Wooldridge avalia o novo código social à prova de vírus. “Com a COVID-19, a saudação deixou de ser o que era: as normas sociais de há uma geração estão a ser reescritas.”

Se precisarmos de ir a reuniões, é aconselhável não nos tocarmos; se formos a restaurantes ou bares, indicam-nos que devemos sentar a um metro e meio ou dois metros de distância de estranhos. Começamos e terminamos as reuniões a lavar as mãos.

Precisamos de uma nova Tia das Boas Maneiras para a Era das máscaras faciais e da distância social, lança o editor de política da The Economist. Qual é a melhor maneira de pedir às pessoas na fila do supermercado que fiquem um pouco mais longe? Se precisar de chamar um táxi, é razoável limpar a maçaneta da porta do carro ou o assento com um pano desinfetante? À medida que a interação social é cada vez mais online, somos confrontados com perguntas sobre as boas maneiras virtuais também. Como conseguir mover o tópico da discussão online?

Acabar com todos os abraços e beijos não é algo mau para quem não gosta dessas intimidades. Mas o aperto de mão existe há séculos por um bom motivo. Além de preencher os momentos embaraçosos em que conhece um estranho, a flacidez ou a firmeza de um aperto de mão dizem muito da pessoa que tem à sua frente.

Como criaturas de rituais sociais, estamos a improvisar os novos cumprimentos à prova de vírus (até o beijo no ar é considerado íntimo demais). O “aperto do bíceps” surgiu como uma nova saudação na semana de moda de Paris. Os cidadãos de Wuhan, a cidade no centro da China onde a epidemia começou, desenvolveram algo chamado de Wuhan shake – um movimento de pé que envolve bater o sapato no da outra pessoa.

Tirar o boné era uma saudação excelente para uma época em que muitos de nós os usava. Fala-se muito em voltar ao passado, reavivar os gestos de reverência. Mas, em vez de olhar para a história, devemos ir buscar inspiração a outros países.

A saudação namaste de estilo indiano envolve apertar as palmas das mãos e curvar-se um pouco. Um aceno de cabeça suave, um gesto subtil com a mão, um sorriso agradável – qual seria a maneira mais elegante de cumprimentar um potencial portador da nova peste? Tanto o príncipe Carlos como Emmanuel Macron provaram ser poderosos embaixadores do namaste na última vista do presidente francês ao Reino Unido.

A questão é saber se os novos códigos durarão além da crise atual ou será que quando a pandemia for finalmente domada, seja por imunidade de rebanho ou por um milagre científico, iremos retomar os abraços e beijos?

Na opinião do autor, outra revolução está a começar: “a moda de beijar e abraçar como os ursos não demorará a ser considerada não só antiquada, como nojenta. As pessoas passaram a orgulhar-se em poder manter uma distância decente dos seus companheiros humanos, não apenas porque querem evitar não ser contagiadas com alguma coisa – mas porque é a coisa certa e civilizada de se fazer.”

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