Restaurar a fé na humanidade

O historiador e filósofo Rutger Bregman defende no seu mais recente livro que as pessoas são fundamentalmente boas. Para ilustrar a visão do autor, a revista Strategy+Business coloca o seguinte cenário: imagine que nos dias pré-pandémicos é apanhado num grande incêndio num centro comercial cheio de gente.


Como é que acha que as pessoas à sua volta reagiriam? Correriam em pânico em direção às escadas, desesperados para chegar à segurança? Ou olhariam em volta e ajudariam os outros, colocando em risco as suas próprias vidas para garantir que todos tivessem forma de escapar?

A resposta da maioria das pessoas seria que não esperava mais do que ver as pessoas a fugir, portanto esperaria ver uma reação de pânico. Errado, de acordo com as ideias e teoria de Rutger Bregman.

No seu primeiro livro, Utopia for Realists (2016), Bregman defendeu o rendimento básico universal, uma semana de trabalho mais curta e fronteiras abertas. Este ano, o escritor holandês, que em 2019 recebeu muita atenção em Davos, lançou o seu novo livro.


Em Humankind escreve que é um mito considerar que, por sua própria natureza, os seres humanos sejam egoístas, agressivos, e que rapidamente entrem em pânico.

Esse mito assenta na ideia profundamente pessimista de que vivemos numa frágil convivência uns com os outros – e que entra em colapso sob pressão. Como todos os mitos, este tem pouca base, mas permanece extremamente poderoso, alimentando muitas das suposições que sustentam a Educação, a Economia e o Direito.

Na sua obra, considerada uma importante tentativa de restaurar a nossa fé nos outros, Bregman argumenta que “a maioria das pessoas, no fundo, é bastante decente” e que, acredita, essa decência é uma parte fundamental da nossa humanidade.

Para Mike Jakeman, jornalista freelancer com colaborações na PwC e na Economist Intelligence Unit, é reconfortante ouvir que somos mais prestativos e pacíficos do que normalmente somos retratados, especialmente em tempos tão perigosos como os que vivemos.

“Bregman fez uma tentativa admirável de reviver a reputação da humanidade, contra uma maré formidável de evidências.” Mas, diz Jakeman, “a história – e o presente – mostra que a nossa profunda suspeita sobre aqueles que nos rodeiam é muito difícil de mudar.”

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