Os RH estão no centro da estratégia das empresas. Novo estudo revela o seu impacto na competitividade, talento e inovação.
De acordo com o inquérito global Creating People Advantage 2026: Four Power Moves for the CHRO, desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a World Federation of People Management Associations (WFPMA), 65% dos líderes seniores consideram hoje os RH um impulsionador direto de transformação e criação de valor.
O estudo, que recolheu mais de 7.000 respostas em 115 mercados e 25 setores de atividade, revela ainda que as organizações com maiores capacidades na função de RH registam menor rotatividade e conseguem preencher funções críticas, em média, entre 17 e 18 dias mais rapidamente do que os seus pares.
RH no centro da transformação empresarial
O inquérito revela que os CHROs estão cada vez mais a trabalhar em estreita colaboração com os CEOs e equipas de liderança para alinhar a estratégia de pessoas com as prioridades de negócio e apoiar a execução das transformações organizacionais.
As organizações com maiores capacidades na função de RH conseguem não só atrair e reter talento de forma mais eficaz, como também responder mais rapidamente às necessidades críticas de competências e liderança.
A adoção de IA cresce, mas o impacto ainda está a consolidar-se
A Inteligência Artificial está a ganhar espaço nas organizações, mas o seu impacto estratégico permanece desigual. Cerca de 70% das empresas inquiridas afirmam já utilizar tecnologias de Inteligência Artificial generativa, sobretudo em áreas como reporting, formação ou recrutamento.
Ainda assim, apenas 38% consideram que esta tecnologia tem atualmente elevada relevância estratégica para as suas organizações. Entre os principais obstáculos à sua adoção destacam-se preocupações relacionadas com privacidade e conformidade de dados, identificadas por 51% dos líderes.
Transformação baseada em competências ganha importância, mas a implementação ainda é desigual
A gestão de talento baseada em competências está a ganhar importância nas organizações, mas a sua implementação continua desigual. Muitas empresas continuam numa fase inicial de integração desta abordagem nos seus sistemas de gestão de pessoas e desenvolvimento de talento.
Nos últimos anos, muitas organizações têm procurado reformular a gestão de talento com base em competências, em vez de funções. No entanto, o progresso permanece desigual e muitas empresas enfrentam ainda um défice de execução. Apenas cerca de metade das organizações (54%) utiliza sistemas de correspondência entre competências e funções, que permitem alinhar os perfis de competências dos colaboradores com as exigências de novas posições, e apenas 48% têm programas estruturados de requalificação. No total, apenas 11% das empresas inquiridas afirmam ter uma arquitetura de competências plenamente integrada em toda a organização.
Neste contexto, Eduardo Bicacro, Managing Director & Partner da BCG em Lisboa, sublinha que «os dados mostram que, em Portugal, as organizações continuam a dar prioridade ao reforço da estrutura e eficiência operacional da função de RH, um passo importante para consolidar bases. No entanto, num contexto de aceleração tecnológica e transformação profunda das competências exigidas, o verdadeiro diferencial competitivo estará na capacidade de desenvolver competências críticas e de gerir desempenho de forma consistente.»
O responsável acrescenta ainda que «num mercado de trabalho cada vez mais global e aberto, a capacidade de reconhecer mérito, proteger talento e acelerar competências será determinante para reforçar a competitividade das empresas portuguesas.»
Portugal reforça prioridades na estrutura da função de RH
Em Portugal, o estudo recolheu 85 respostas de profissionais de diferentes setores e níveis de responsabilidade, contribuindo para a análise das prioridades das organizações nacionais na gestão de talento e na transformação empresarial.
Os primeiros resultados indicam que, face ao panorama global, as organizações nacionais continuam a dar maior prioridade a temas relacionados com a organização e estrutura da função de RH. Em contrapartida, áreas como gestão de desempenho e desenvolvimento de competências surgem com menor destaque relativo.
«Para a APG, este estudo representa uma referência para compreender a maturidade e as prioridades da gestão de pessoas em Portugal. Esta parceria permite-nos reforçar a qualidade da reflexão, disponibilizando ao ecossistema nacional evidências sólidas para decisões mais informadas, num momento em que o papel dos RH é verdadeiramente determinante para a competitividade das organizações», afirma Generosa do Nascimento, presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG), entidade que representa Portugal na World Federation of People Management Associations (WFPMA).


