“Rodeado de Idiotas” em tempo de COVID-19

Na última aula que dei, presencialmente, antes da pandemia, uma das participantes falou-me elogiosamente de “Rodeados de Idiotas”. Continua a existir fascinação com os estilos de liderança – embora a melhor liderança implique uma combinação de estilos. Mais: por vezes temos “estilos” tão marcados que os outros nos podem ver como idiotas.

Usando cores para representar tipos, Thomas Eikson escreveu um bestseller na sua Suécia. Aproveitamos a ocasião para o questionar sobre a forma como os estilos resistem ao trabalho à distância. Eis as suas respostas.

Defende que estamos cercados por idiotas e que eles têm perfis diferentes, vermelhos, amarelos, azuis e verdes. Acho que o meu lado idiota pertence a mais de um quadrante. Isso é normal?
Sim, estatisticamente é provável que mostre uma combinação de duas cores. Em cerca de 80% acontece isso. Mas há pessoas que mostram apenas uma cor, mesmo que sejam em minoria.

É possível que a COVID nos tenha feito sentir falta dos idiotas, que nos rodeavam? Ou foi uma interrupção bem-vinda dessa coexistência?
A situação do novo Coronavírus é um bom exemplo de como tudo é frágil. Mas, se todos fizerem o melhor possível, espero que haja menos idiotas no futuro. Nós simplesmente não seremos capazes de lidar com a situação, a menos que cooperemos. E, para fazer isso, precisamos prestar atenção um ao outro. Quando o fizermos, entenderemos que as pessoas geralmente não são idiotas. Elas são apenas diferentes de ti e de mim.

O zoom cria buffers aos idiotas ou simplesmente reproduz os antigos comportamentos de novas maneiras?
Para começar, não estamos habituados a utilizar o zoom, mas quando as pessoas se sentirem mais confortáveis ​​com esta maneira de comunicar, ainda serão elas próprias.

Qual é a sua principal recomendação para os gestores evitarem comportar-se como idiotas em situações de crise?
Pare de prestar atenção a si mesmo e comece a prestar atenção na sua equipa a um nível individual. Todos estão a sofrer nesta situação, de uma forma pessoal. E isso só pode ser resolvido se se concentrar em cada um de todos os seus colaboradores, um de cada vez. Liderar em épocas normais já é bastante complicado; liderar durante uma crise pode ser um pesadelo total.

Por Miguel Pina e Cunha

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