Sabe falar Corona? Um dicionário para acompanhar a gíria da pandemia

A era do coronavírus trouxe novos termos e está a mudar a forma como falamos. A revista 1843 do grupo da The Economist preparou um guia fundamental da gíria da COVID-19 que aqui lhe deixamos alguns exemplos para ficar dentro da linguagem da pandemia.

Covidiot
Covidiot é alguém que ignora os conselhos de saúde pública. O termo descreve aquelas pessoas que se comportavam de uma forma irresponsável à medida que o contágio alastrava. A palavra nasceu algures em determinado momento no início de março e espalhou-se quase tão rápido como o vírus.
Os compradores desesperados que deixaram as prateleiras dos supermercados sem papel higiénico e esparguete foram os primeiros a ganhar o título de “covidiotas” na Grã-Bretanha e nos EUA. Quando o confinamento imposto pelos governos avançou, os acumuladores foram sucedidos pelos novos “covidiotas”, aqueles que ignoraram os avisos de saúde pública para ficar em casa: faziam churrascos nas praias e tomavam banhos de sol em parques públicos. Em Lisboa, as pessoas inundaram as praias.

Coronaspeck
Coronaspeck refere-se à gordura do coronavírus ou como alguns alemães alimentam literalmente o seu medo. Os trabalhadores alemães, obrigados a ficar em isolamento em casa, lutam contra o aumento do seu peso e também contra a Hamsterkäufe, que significa acumular ou o pânico de ter de comprar, descreve a revista 1843.
Coronaspeck é a palavra alemã que indica a gordura depositada durante semanas sem fazer nada em casa. Os compradores na Alemanha conhecem o Speck como um alimento semelhante ao bacon seco. Mas o seu significado mais amplo corresponde ao termo inglês “flacidez”.
Babyspeck, por exemplo, é a gordura que permanece na adolescência; Winterspeck a excessiva indulgência nos meses de frio. O mais conhecido é o termo Kummerspeck, ou a “gordura da tristeza” – “pense numa Bridget Jones cheia de lágrimas devorando caixas de gelado para esquecer as mágoas de uma desilusão amorosa”, caricatura aquela publicação.

Hamsteren
O verbo significa literalmente “encher as bochechas” como um rato hamster ou ainda o pânico de ter de comprar. Uma intérprete de linguagem gestual holandesa durante o período inicial do surto de coronavírus na Europa tornou-se viral ao traduzir o aviso de um ministro do governo para não acumular comida. A tradutora fez os gestos de um roedor a trazer comida à boca com as mãos para transmitir a palavra “hamsteren”, que significa colocar comida nas bochechas como um hamster ou, como é hoje mais comum dizer-se, adquirir coisas em maior quantidade do que aquela que efetivamente se necessita.
Os alemães usam uma palavra semelhante, Hamsterkauf. Enquanto a palavra em inglês “acumular” refere-se a algo secreto que acontece quando ninguém está a ver, “hamsteren” é claramente visível e refere-se à tão famosa abertura holandesa- esta transformou-se em vergonha à medida que o surto ia avançando.

Miss Rona
Esta é uma nova forma de alguns grupos se referirem à COVID-19. A imagem de uma esfera com espinhos usada para ilustrar o novo coronavírus tornou-se familiar. Agora imagine a mesma esfera, mas mal fotografada com brincos de argola, lábios da Sra. Potatohead e unhas postiças. É essa a versão artística de Miss Rona, uma referência à COVID-19 online que começou, como muitas modas americanas, entre utilizadores da Geração Z no Twitter.
Os gays acrescentam sempre “miss” a outras palavras, explica uma fonte à revista. Miss Rona significa que o vírus tem uma atitude desagradável ou atrevida. A personificação reflete a intromissão do vírus, que veio interromper as nossas vidas: cancelando os nossos planos, testando os nossos relacionamentos, vigiando-nos enquanto lavamos as mãos até ficarmos sem pele.

Quatorzaine
Quatorzaine refere-se a um período de isolamento de 14 dias. A língua francesa ajudou a dar ao mundo da língua inglesa o termo “quarantine” que deriva de quarentena, ou seja, um período de 40 dias. Há referências ao seu uso em francês, supostamente de origem bíblica, desde o século XII. Foi durante a peste no século XIV que a Itália usou a palavra “quarantena” para se referir especificamente ao isolamento por motivo de doença. Os venezianos empregaram o termo para descrever o período de tempo que um navio tinha de esperar no porto como precaução sanitária antes que a tripulação pudesse desembarcar. Em suma, a língua inglesa pediu emprestada a palavra do francês e a definição do italiano.

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