Saber improvisar e criar rituais e rotinas é o papel do líder do futuro

Como é que a pandemia está a afetar o comportamento dos líderes nas organizações? Para Yan Bai, professora de Ética Empresarial e Responsabilidade Social na Catholic Lisbon School of Business & Economics, “está claro que não voltamos ao antigo mundo – e o novo mundo é imprevisível.” Então, como é que os lideres se podem preparar para o futuro e com que ferramentas podem garantir, não a sobrevivência, mas o sucesso depois de tudo isto passar?


A doutorada em Gestão pela IESE Business School, em Espanha, não veio à cimeira da liderança Leadership Summit Portugal, de mãos a abanar e trouxe uma proposta: “os líderes têm de saber improvisar como se estivessem num placo, por um lado, e devem ter rituais e rotinas, por outro lado.”

Esta é a receita da professora que retira várias lições dos momentos em que cozinha em casa, como contou na cimeira da liderança que decorreu na semana passada no Estoril, em Cascais. Ela própria teve de saber ser criativa e improvisar quando durante o confinamento queria fazer uma receita de culinária e não tinha todos os ingredientes de que precisava.

É do equilíbrio entre improviso e rotina que, na sua opinião, nasce a estabilidade. “Mais do que nunca precisamos de rituais.” Os líderes devem, não só continuar a fazer reuniões à distância, como a amplificar esses momentos e a torná-los mais óbvios, defende. E explica: com o trabalho remoto as pessoas perdem visibilidade e podem perder o sentido de comunidade – por isso, aconselha a fazer videoconferências regulares.

Parece que há um consenso em relação ao facto do trabalho remoto ter vindo para ficar. “As empresas têm de se adaptar ao trabalho remoto e alguns líderes podem sentir que com isso perdem o poder. Esta tendência, junto com a adoção da Inteligência Artificial são mudanças que a pandemia não trouxe, só veio acelerar.

Perante estas dinâmicas extra, Yan Bai aconselha os líderes a, primeiro, saberem escutar ativamente e a observar o que se passa à sua volta – além de Portugal, na Europa, na Ásia, em África. “Por vezes ouvir é difícil; muitas vezes não ouvimos os outros porque estamos a pensar naquilo que vamos dizer a seguir.”


Em segundo lugar, a aceitarem a situação atual através de uma nova perspetiva. A explorarem, a tentarem coisas novas e de forma criativa – e aqui são precisas pessoas criativas para construir o futuro.

Até à pandemia, a gestão estava focada na eficiência interna. Mas hoje é preciso ir além com novas dinâmicas. Os líderes do futuro devem saber combinar a eficiência com a complexidade que vem do exterior. Como? “Improvisando, experimentando, com rituais e rotinas” insiste a académica. E tudo isto para que as empresas garantam uma “aterragem suave” depois da turbulência passar.

Pode (re)ver a Leadership Summit Portugal aqui.

Artigos Relacionados: