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Salários em Portugal 2026/2027: quais são os setores e profissões mais bem pagos?

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16 Setembro, 2026 | 6 minutos de leitura

As tecnologias de informação mantêm o patamar remuneratório médio mais elevado, mas 'life sciences', banca e seguros e engenharia também surgem entre as áreas mais valorizadas. O estudo da Randstad Research mostra ainda que salário atrai talento, mas flexibilidade, progressão e liderança são decisivas para o reter.

A remuneração continua a ser um dos principais fatores de atração no mercado de trabalho, mas já não chega para segurar talento. O estudo Tendências Salariais 2026/2027, da Randstad Research, mostra um mercado português marcado por escassez de profissionais, pressão salarial, transformação tecnológica e novas expectativas sobre carreira.

A análise, que cruza dados oficiais do INE e Eurostat com informação interna da Randstad, identifica as funções mais procuradas e os intervalos salariais de referência em áreas como engenharia e indústria, finanças, banca, tecnologias de informação, marketing, vendas, life sciences e healthcare.

A conclusão é clara: os salários estão a ajustar-se, sobretudo em perfis técnicos e especializados, mas a retenção depende cada vez mais de fatores como progressão, flexibilidade e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Como a Líder escreveu recentemente, se o salário abre a porta, o que convence o talento a não sair tornou-se uma das perguntas centrais para as empresas.

 

Tecnologias de informação lideram salários

O setor das tecnologias de informação mantém-se como o mais valorizado no estudo, com salários médios entre 40.000 e 55.000 euros brutos anuais. Entre as funções mais procuradas estão perfis de cloud & security, data analytics, BI & AI, software development, business applications e IT management & strategy.

A valorização acompanha a crescente importância da digitalização e da cibersegurança nas empresas. O estudo destaca ainda que os perfis de TI são hoje transversais a praticamente todas as indústrias, da saúde à banca, passando pela indústria e pelo retalho.

Esta tendência surge num momento em que a inteligência artificial está a alterar a organização do trabalho. A Líder noticiou recentemente que a IA aumenta a produtividade de 80% dos profissionais, embora nem sempre esse ganho se traduza em impacto financeiro direto para as empresas.

Leia também: 84% dos profissionais portugueses já usam IA no trabalho, acima de Espanha, França e Alemanha

 

Life sciences, banca e engenharia também se destacam

Na área de life sciences, os salários médios situam-se entre 35.000 e 60.000 euros brutos anuais, refletindo a elevada especialização técnica e o valor estratégico destes profissionais. Já na vertente de healthcare, os valores ficam entre 30.000 e 46.000 euros brutos anuais.

Em banca e seguros, o intervalo médio situa-se entre 35.000 e 50.000 euros brutos anuais, com valorização de funções ligadas a risco, análise de dados, compliance e corporate finance. Entre os perfis mais procurados estão gestor comercial, compliance officer, analyst – corporate finance, underwriter e private banker.

Na engenharia e indústria, os salários médios variam entre 33.500 e 49.500 euros brutos anuais. As funções mais procuradas incluem diretor/a de obra, engenheiro/a de automação & robótica, engenheiro/a de desenvolvimento de produto, supervisor/a de produção e técnico/a de supply chain/logística.

 

Marketing e vendas continuam dependentes da especialização

Nas áreas de marketing e vendas, os valores variam de forma significativa consoante a dimensão da empresa, a componente variável e o grau de especialização técnica. Segundo o estudo, os salários médios em marketing situam-se entre 26.000 e 36.500 euros brutos anuais, enquanto em vendas variam entre 23.000 e 39.500 euros brutos anuais.

As funções mais procuradas são CRM specialist, performance marketing manager, customer experience manager, technical sales e sales engineer, refletindo a crescente importância de dados, performance digital e relação com o cliente.

 

Salário atrai, mas progressão retém

Apesar da valorização salarial em várias áreas, a Randstad identifica um fosso entre o otimismo das empresas e a perceção dos profissionais. De acordo com o Randstad Workmonitor 2026, 95% das empresas antecipam crescimento, mas apenas 51% dos profissionais partilham esse sentimento positivo.

Em Portugal, a pressão do custo de vida pesa sobretudo entre os mais jovens. O estudo refere que 93,4% dos jovens profissionais portugueses consideram que as remunerações não são justas face ao custo de vida atual. Além disso, 55,8% gastam mais de 40% do rendimento mensal em habitação e 56,2% continuam a viver com os pais.

A retenção também se tornou mais frágil: 37,5% dos talentos mudaram de empregador nos últimos 12 meses, apontando a falta de progressão como principal motivo de saída. Este desalinhamento ajuda a explicar porque a escassez de talento continua a pressionar vários setores. No Norte, por exemplo, a Líder noticiou que as empresas enfrentam a maior escassez de talento do país.

 

IA muda o futuro das funções juniores

A inteligência artificial surge como outro fator de transformação. Em Portugal, 72,8% dos jovens profissionais já utilizam ferramentas de IA e 69,9% afirmam que estas aumentaram a sua produtividade.

Ao mesmo tempo, o estudo alerta para o impacto da automação nas funções de entrada. Segundo dados citados pela Randstad, 37% dos jovens trabalhadores a nível global e 63% na Europa estão expostos à automatização de tarefas rotineiras. Perante este cenário, 41% dos jovens talentos receiam o desaparecimento de posições juniores a médio prazo.

O desafio para as empresas não passa apenas por automatizar, mas por redesenhar funções. A lógica de augmentation, em que a IA assume tarefas transacionais e liberta os profissionais para trabalho mais analítico, criativo e consultivo, poderá tornar-se uma das principais respostas para proteger talento e produtividade. Em Portugal, a adoção já é acelerada: 84% dos profissionais portugueses já usam IA no trabalho.

Para os líderes, o estudo deixa uma mensagem direta: competir por talento em 2026/2027 exigirá mais do que atualizar tabelas salariais. As empresas terão de tornar as remunerações mais transparentes e competitivas, mas também oferecer percursos de progressão claros, apostar em formação contínua, integrar a IA de forma responsável e criar modelos de trabalho mais flexíveis.

Redação,
Equipa editorial Líder

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