Salomé Faria: «Marcas fortes defendem ideologias»

Há quem defenda que as marcas podem fazer mais pelo mundo do que propriamente os Governos. Para Salomé Faria, Head of Communications da Siemens Portugal, marcas fortes são, hoje, sinal de “propósito”, defendem ideologias, têm uma voz em matérias como a diversidade, questões ambientais.


E são muitas vezes acompanhadas pelos CEO que se juntam a debates e defendem causas. E não é preciso ir mais longe, o CEO da Siemens, Joe Kaeser, empenha-se no combate à desinformação, à discriminação e é defensor do capitalismo inclusivo. Conta-nos Salomé Faria e não é de estranhar a propriedade com que fala, já que está na Siemens há 17 anos.

Colocámos a pergunta provocatório: Podemos confiar nas marcas? a alguns líderes, Salomé Faria aceitou o desafio:

«O declínio da credibilidade de instituições que eram até há pouco tempo inquestionáveis na sociedade (Governos, Religiões, etc.) criou um vazio na necessidade de pertença das pessoas que as marcas mais ambiciosas estão a preencher.

Há de facto uma evolução no papel das marcas e muita expectativa sobre as mesmas – o Trust Barometer 2008 da Edelmann refere que mais de 50% dos inquiridos acredita que as marcas podem fazer mais pelo mundo do que propriamente os Governos.  O mesmo estudo, em 2020, refere a confiança nas marcas como um dos fatores essenciais na decisão de compra.

Marcas fortes, hoje, são sinal de “propósito”, defendem ideologias, têm uma voz em matérias como a diversidade, questões ambientais, entre outras. E são muitas vezes acompanhadas pelos CEO que, fazendo uso da sua pegada digital, se juntam a debates que consideram incontornáveis – o CEO da Siemens, Joe Kaeser, é um ótimo exemplo de um “Social CEO” que se empenha no combate à desinformação, à discriminação e é defensor do capitalismo inclusivo.

Por muito alto que seja o preço a pagar (perda de fãs e consumidores), preferem isso a ficar indiferentes ao que se passa.

As marcas têm por isso uma oportunidade única para conquistar espaço e preencher o vazio de valores que foi deixado pelas instituições em declínio. Se, para além de fornecerem produtos ou serviços de qualidade (que respondem às necessidades do consumidor e aos desafios da sociedade), as marcas atuarem em linha com o que defendem; se protegem o que de mais valioso os seus consumidores têm (os dados e privacidade); se dizem a verdade e contribuem para informar, então, a resposta a “Can we trust in brands?” é sim».

O artigo foi publicado na edição n.º 11 da revista Líder, de outubro.

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