Seis megatendências que vão moldar o Mundo

Alterações climáticas, envelhecimento da sociedade ou a constante evolução da tecnologia são tendências que marcam o futuro das sociedades, empresas e organizações, e que apesar de ainda vivermos num cenário de Pandemia, não perdem por isso a sua direção ou importância.

Para lidar com estes desafios e aproveitar as oportunidades que daí resultam, a consultora Roland Berger publicou no final de 2020 o Trend Trend Compendium 2050 que identifica as seis megatendências que dentro dos próximos 30 anos irão moldar o desenvolvimento do nosso Mundo e para as quais é fundamental desenvolver respostas sustentáveis.

MegatendênciasSubtendências
1. Pessoas e Sociedade

 

População; Migração; Valores; Educação
2. SaúdePandemias; Doenças e tratamentos; Cuidados de saúde

 

3. Ambiente e RecursosAlterações climáticas e poluição; Recursos e matérias primas; Ecossistemas em risco
4. Economia e NegóciosGlobalização; Poder; Transformação do sector; Desafio da dívida
5. Tecnologia e InovaçãoValor da tecnologia; Inteligência Artificial; o Homem e as máquinas
6. Política e Governos Futuro da Democracia; Governo e geopolítica; Riscos globais

 

  1. Pessoas e Sociedade

As tendências populacionais nos próximos 30 anos apontam para uma grande variedade de mudanças em todo o Mundo. Em 2050, a população mundial irá contar com mais de 9 mil milhões de habitantes (2020: 7,8 mil milhões) com uma estrutura demográfica cada vez mais envelhecida com mais de 1,5 mil milhões de pessoas com mais de 65 anos e 3,2 mil milhões acima dos 100 anos. Todas as regiões estão a envelhecer, com menos pessoas em idade produtiva a sustentar mais pessoas idosas. Por outro lado, as taxas de crescimento populacional estão a diminuir devido à baixa fertilidade. A grande maioria dos 9,7 mil milhões de pessoas irão habitar regiões menos desenvolvidas, e a população de África irá aumentar mais de 1,1 mil milhões. Em paralelo, espera-se um elevado fluxo de migração entre as regiões, em parte provocada pelas alterações climáticas – a chamada migração climática. Sem uma ação global até 2050, esperam-se até 143 milhões de migrantes climáticos oriundos da África Subsaariana, Sul da Ásia e América Latina.

Em relação à educação, prolongar a frequência da escola é a nova norma global com tendência para crescer até 2050, uma vez que a duração da educação e prosperidade financeira se correlacionam positivamente.

 

  1. Saúde

As Pandemias não são a única ameaça à saúde global. A caminho de 2050, apresentam-se outros desafios: a crise climática como crise de saúde; resistência antimicrobiana (AMR); uso de novas tecnologias; acesso global a medicamentos; fecho da lacuna global de saúde.
Outro fenómeno em crescimento prende-se com as doenças da civilização e da idade, como a demência, que aponta para um aumento na necessidade de cuidados de saúde cada vez mais complexos e dispendiosos.

  1. Ambiente e Recursos

Combater as alterações climáticas é uma obrigação de todos, e o limite do aumento da temperatura média global a níveis abaixo dos 2ºCelsius, como definido pelo Acordo de Paris, só é possível se for feito um esforço adicional para a descarbonização total em 2100.  O CO2 domina a mistura de emissões, enquanto 2/3 dos gases com efeito de estufa (GEE) derivam de apenas de 10 países emissores. E a menos que exista uma coordenação de esforços na mudança dos atuais padrões globais, em 2050 os combustíveis fósseis ainda vão liderar a matriz energética.

Quanto aos ecossistemas em risco, a biodiversidade do Mundo está em declínio: até hoje a Terra já perdeu um terço das suas espécies. Mais de metade do PIB global depende da natureza, mas menos de 1% seria preciso para colmatar a lacuna de financiamento necessária para o avanço de programas de conservação e proteção da biodiversidade e meio ambiente.

  1. Economia e NegóciosO comércio global tem sido o motor da globalização e do crescimento – mas desde a crise financeira de 2008, as taxas de crescimento do comércio caíram para quase metade. Com isso, as cadeias de abastecimento também enfraqueceram enquanto a produção nacional ganhou destaque. Outra tendência prende-se com a mudança do poder económico para os países emergentes, como os da região Ásia-Pacífico a definir o curso para a criação de um bloco económico global. Financeiramente, a economia global está sobrecarregada com o aumento dos níveis de dívida, e não se prevê de que forma será gerida na época pós-COVID.
  1. Tecnologia e Inovação

A tecnologia e a inovação geram prosperidade, e a falta de tais recursos é um grande obstáculo para que os países em vias de desenvolvimento consigam estar ao nível dos países desenvolvidos. Tendencialmente começam a surgir um número significativo de tecnologias baseadas em Inteligência Artificial (IA), sendo expectável que a progressão das suas capacidades seja quase ilimitada, com tarefas cada vez mais complexas a serem realizadas por máquinas. O enorme poder destas tecnologias traz consigo um alerta inerente aos valores humanos e à ameaça da substituição do Homem pelas máquinas.

  1. Política e Governos

O futuro da democracia (liberal) está ameaçado, com as tendências de autocracia a aumentar na última década. Nas democracias assiste-se ao aumento do nível de insatisfação e fadiga dos eleitores, o que deve ser tomado como um sinal de alerta quanto ao futuro da política mundial, cujo jogo de poder é moldado por alianças e rivalidades geopolíticas. O ano de 2024 representa um enorme desafio a nível mundial com um número sem precedentes de mais de 50 países e blocos – abrangendo todo o espectro de democracias liberais a autocracias, a ter eleições parlamentares ou presidenciais.

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