Sente-se a entrar em paranoia por trabalhar a partir de casa?

Ainda antes da Pandemia, sentir-se pouco apoiado ou excluído era algo recorrente a quem trabalhava a partir de casa. Hoje, com a generalização do trabalho remoto em que o isolamento se juntou a uma maior carga de trabalho e acumulação de stress, a paranoia passou a fazer parte do mundo do trabalho digital.

A paranoia significa experienciar um estado de medo em que se interpretam de forma errada situações ambíguas, vendo significados negativos e ameaças onde não existem. Noutras palavras, a paranoia faz com que a pessoa se examine a si mesma irracionalmente bem como o comportamento dos outros. A pessoa torna-se hipervigilante, à procura de desaprovação ou rejeição para as quais não existem razões concretas.

Isso pode tornar-se intenso para quem seja mais sensível e que numa situação de stress, adota uma atitude de pensamento excessivo (overthinking) e de ter dúvidas sobre si mesmo.

A distância torna ainda mais difícil gerir tudo isto quando não é possível interpretar a linguagem corporal, as expressões faciais e as nuances do feedback. Para além de se estar sozinho no escritório ou em casa, está-se preso aos seus próprios pensamentos, repetindo ideias negativas em loop.

Embora sejam evidentes as dificuldades do trabalho remoto, Melody Wilding, Coach e Autora, afirmar ser possível vencer a paranoia e atenuar os medos irracionais, deixando algumas pistas num artigo para a Harvard Business Review.

  1. Fixar e ajustar expectativas
    Para evitar suposições e interpretações erradas, defina de forma proactiva com o seu gestor e colegas, as expectativas em relação ao estilo de comunicação, tomadas de decisão e gestão de conflitos.

Tornar as expectativas explícitas é uma das formas de enfrentar a paranoia, através da formalização de uma lista com diretrizes de trabalho em equipa, numa colaboração positiva (exemplos: responder a mensagens em 24 horas, escuta ativa, ter a mente aberta, etc.).

  1. Não tente agradar a todos
    A paranoia pode levar a uma atitude constante de querer agradar aos outros. Participar em todas as reuniões, mesmo que não seja necessário ou estar excessivamente envolvido em diversas iniciativas para manter a ilusão de controlo e omnipresença de que nada lhe escapa, pode levar a um estado de burnout.

O primeiro passo para reverter essa tendência é ser rigoroso acerca da sua agenda e gestão de tempo, como evitar as reuniões que não exigem a sua participação, delegando-a a outro colega. Mesmo que lhe possa parecer desconfortável, este é o caminho certo para melhorar a tolerância à ambiguidade e mudar a relação com o medo.

  1. Retirar o lado pessoal das ações dos outros
    Para quem tem maior sensibilidade e profundidade emocional, tem também elevados níveis de empatia, o que pode ter um lado positivo mas também ser um peso. Se por um lado, tem facilidade em sentir as necessidades dos outros, pode também interpretar o comportamento do outro de uma perspetiva mais pessoal – o que pode ser um simples comentário, pode julgar como um insulto.

Ao sentir-se dominado pela paranoia, canalize essa anergia para um lado positivo. Coloque-se no lugar da outra pessoa e tente perceber o que a pode ter levado a essa reação – deve-se procurar dar sempre uma interpretação generosa ao comportamento do outro e não o seu lado mais negativo.

  1. Isolar as ansiedades
    A maioria das pessoas sente dificuldade em “desligar-se” depois de um dia de trabalho. É por isso essencial desconectar-se mentalmente das preocupações no final do dia, usando para isso uma das estratégias que a coach aconselha – a mochila. Coloque todas as situações de stress numa mochila imaginária e deixe-a no canto do seu escritório durante a noite, ou então escreva a suas preocupações num papel que depois rasga e deita fora.

Estar vigilante e atento ao que acontece no trabalho pode ser uma vantagem competitiva, mas se for levado longe demais, pode evoluir para a paranoia e paralisar, contudo, saiba que pode gerir essa situação e preparar a sua mente para os desafios do futuro do trabalho.

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