«Ser verde não é um termo vazio», diz Secretária de Estado do Ambiente


Em declarações proferidas ontem durante a conferência “Por uma Europa Verde – O Contributo das Empresas Portuguesas”, promovida pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal, a Secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, recordou a mnemónica “1, 10, 100, 1000, 10 000”: “Neste momento, 1% da população mundial tem mais riqueza acumulada do que o resto da humanidade; temos cerca de 10 anos para evitar um colapso do sistema natural que nos suporta e o caos climático; todos os anos perdemos mais 100 espécies; há cerca de 1000 vezes mais dinheiro em subsídios para combustíveis fósseis do que existe investido na transformação para uma economia verde; em 2020, houve 10 000 fogos florestais a ocorrerem em simultâneo, num único dia, no planeta. São números que nos esmagam”.

E deixou o repto: “Quando pensamos nestes cinco factos, que são factos, é fácil entender que ser verde não é um termo vazio. Temos que mudar e não dizer apenas que queremos mudar sem nada fazer”.

A urgência da transição de uma Economia Linear para uma Economia Circular está bem patente no quadro das políticas nacionais e europeias, e é condição essencial ao crescimento sustentável, bem como a uma economia competitiva e neutra em carbono.


“O Plano de Ação para a Economia Circular foi a resposta nacional ao desafio europeu, no qual a CIP colaborou desde a primeira hora. Mas passaram mais de dois anos e os resultados deste Plano não são devidamente conhecidos. Falta claramente uma monitorização objetiva da situação nacional nestas matérias. Requerem-se métricas eficazes que demonstrem a evolução global e sectorial da circularidade da economia e permitam a identificação de constrangimentos e de oportunidades”, notou António Saraiva, Presidente da CIP, no mesmo dia em que lança o “Projeto E+C – Economia Mais Circular”, um estudo pioneiro em Portugal sobre Economia Circular, em parceria com a EY-Parthenon.

“Com esta iniciativa, pretendemos a entrada numa nova etapa que permita passar das intenções e das denúncias de insucessos à adoção de medidas concretas, medidas reconhecidas e devidamente estimuladas. É assim que tem de se atuar se quisermos acompanhar o esforço europeu e aproveitar plenamente as oportunidades que nos traz, também neste domínio, o Green Deal e o Plano de Recuperação para a Europa”, adiantou o responsável.


No encerramento da conferência, o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, recordou que 37% das verbas comunitárias, que no acumulado da década, representam mais de 45 mil milhões de euros para Portugal, têm de ser dedicadas ao objetivo da transição climática, com um foco muito grande na descarbonização, mas também na transição para uma Economia Circular. “As empresas estão já a fazer os seus planos de transformação, o nosso sistema científico e tecnológico está a ser convocado para participar neste grande esforço de inovação. E esta conferência que a CIP realizou é um passo importante nesse sentido. Queria saudar particularmente o desenvolvimento de um sistema de monitorização e de avaliação das práticas das empresas nesta matéria, porque sem medirmos exatamente o que estamos a fazer, não conseguimos atingir os resultados a que nos propomos” sublinhou o Ministro.


A Circulytics, uma metodologia desenvolvida pela Fundação Ellen MacArthur que ajuda a documentar os pontos fortes de uma empresa e a realçar as áreas a melhorar, foi a ferramenta selecionada para suportar este estudo pioneiro em Portugal. “Medir a progressão das economias em matéria de Economia Circular e de maturidade das empresas em termos de Circularidade continua a ser um enorme desafio em todo o mundo, pelo que a democratização de ferramentas como a Circulytics é deveras importante”, referiu Hermano Rodrigues, Principal da EY-Parthenon e responsável pela assessoria técnica de apoio à implementação do projeto. “Se não formos capazes de medir as problemáticas em que queremos intervir, dificilmente conseguiremos saber onde estamos e decidir para onde queremos ir. Pelos indicadores indiretos de circularidade que existem disponíveis, Portugal tem ainda uma enorme margem de progresso na Economia Circular, podendo capitalizar enormemente o seu potencial para gerar resultados nas empresas e na sociedade. O “Projeto E+C” vai certamente ajudar muito nesse processo”, enfatizou Hermano Rodrigues.

De notar ainda que o “Projeto E+C – Economia Mais Circular” pretende ser o maior e mais completo estudo alguma vez feito em Portugal sobre Economia Circular e será desenvolvido, em colaboração estreita com as empresas, ao longo de 12 meses. Além de fazer um levantamento do estado da arte da Economia Circular em Portugal – identificando as boas práticas já adotadas e os projetos em curso – procurará estimular a adoção de uma metodologia de medição da circularidade nas empresas portuguesas amplamente testada a nível internacional.

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