Para os empresários, os critérios Ambientais, Sociais e de Governação (ESG) eram, até há pouco tempo, sinónimo de cumprir requisitos legais, responder às exigências dos investidores e redigir relatórios anuais de sustentabilidade. Eram, claro, uma dimensão importante do negócio, mas que estava longe de ser central. Hoje, esta realidade está a mudar.
Gradualmente, o ESG tem deixado de ser uma questão de conformidade para se transformar num tópico de liderança. Já não se trata apenas de reduzir as emissões de carbono, implementar ações de responsabilidade social ou reforçar mecanismos de governação. Também implica compreender que a forma como uma organização toma decisões, gere pessoas, utiliza recursos e se relaciona com o território onde se insere são fatores que influenciam diretamente a sua capacidade de crescer, de inovar e de garantir a competitividade.
De acordo com os resultados do quarto Observatório ODS nas Empresas Portuguesas, desenvolvido pelo Center for Responsible Business & Leadership da Católica Lisbon School of Business & Economics, 96,4% das grandes empresas e 82,6% das Pequenas e Médias Empresas (PME) consideram que a sustentabilidade melhora substancialmente a sua competitividade. Ao mesmo tempo, estes empresários também afirmam que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) já suportam as suas decisões de gestão (77% no caso das grandes empresas e 68% no caso das PME). Além disso, a grande maioria das empresas portuguesas (69%) garantem ter estes objetivos totalmente ou bastante incorporados na sua estratégia.
Estes resultados demonstram que a sustentabilidade deixou de ser encarada apenas como uma resposta a expectativas externas, estando cada vez mais, felizmente, a ser integrada nas decisões que definem o rumo e o futuro das organizações, em Portugal e no mundo.
No entanto, ainda existe um desafio que não deve ser ignorado. Muitas empresas continuam a encarar o ESG como um conjunto de iniciativas isoladas, em vez de posicionarem estes critérios como princípios orientadores da estratégia do negócio. Investem em projetos ambientais, desenvolvem ações sociais e redigem longos relatórios, mas estas ações nem sempre se refletem na forma como, na prática e no dia a dia, lideram equipas, definem processos e organizam prioridades de desenvolvimento. E é precisamente nesta área que a liderança faz a diferença.
Mais do que definir metas ambientais ou publicar indicadores de impacto, liderar uma organização sustentável é criar culturas organizacionais onde a transparência orienta as decisões, o bem-estar das pessoas é encarado como um fator de produtividade e o crescimento económico é conciliado com a criação de valor para a comunidade e com um impacto social positivo.
Neste contexto, os espaços de trabalho têm, também, um importante papel na experiência dos colaboradores, na entreajuda e, consequentemente, na capacidade de inovação das equipas. Ao mesmo tempo, impulsionam estes valores e facilitam a partilha de boas práticas, o que faz a diferença. Porque, no final de contas, a sustentabilidade não é um departamento, um relatório ou um selo. É uma forma de liderar e de criar valor, num mercado onde a competitividade e o impacto positivo caminham lado a lado.


