Será o fim do escritório o regresso da barbárie?

Aproveitemos o remanso estival para pensar nas coisas realmente importantes da vida. Por exemplo o fim do escritório. Nos últimos meses muito tem sido dito sobre o tema: que o escritório vai acabar; que não, que isto vai voltar tudo ao normal. Como é evidente ninguém sabe o que vai acontecer porque ainda não aconteceu. Mas vamos por partes.

Os defensores do fim do escritório argumentam que o trabalho a partir de casa permite poupar tempo em deslocações. Que ajuda a integrar trabalho e família. Que permite que as empresas poupem dinheiro em imobiliário dispendioso. Que aumenta a flexibilidade. Tudo isto é certamente verdade.

Quem acha que vamos todos voltar ao velho normal tem outros argumentos. Que precisamos das conversas à volta da máquina do café, porque elas não apenas difundem os boatos mas também as ideias. Que a síntese da vida toda no mesmo espaço a empobrece socialmente. Que não é possível criar cultura de empresa nem espírito de grupo com cada um no seu canto. Que não há resiliência organizacional que resista ao afastamento social.

Considera-se menos um argumento civilizacional, possivelmente mais importante que todos os outros. Segundo a Unilever, os teletrabalhadores usam menos desodorizante, lavam-se menos e deixam de fazer a barba diariamente. Podemos achar que a fonte é enviesada mas tudo isto parece altamente realista. Regressemos pois ao escritório antes que a convivência em casa se torne insuportável.

Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

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