Será que a abordagem sueca ao vírus é a correta?

Há quem diga que se houver uma segunda vaga da COVID-19, então a abordagem sueca deve ser considerada válida. Houve momentos durante esta pandemia que ouvimos os cientistas dizerem que uma segunda onda pandémica seria inevitável.

Os gráficos mostravam uma curva assustadora de infeções na primavera e uma ainda mais assustadora no inverno. Há especialistas que explicam que a única maneira de fazer desaparecer a COVID-19 é através da “imunidade do rebanho”, quer seja através de anticorpos naturais, quer seja através da vacinação.

Um estudo sugeriu recentemente que 30% dos suecos estariam imunes ao vírus. Se assim for, entende-se por que a COVID-19 está a baixar na Suécia, um país que optou por não obrigar a população a entrar em confinamento, não mandou fechar restaurantes, cafés e hotéis e onde ninguém faltou à escola.

Se esta abordagem de “imunidade de rebanho” também os ajudar a evitar a segunda onda, “então temos de reconhecer que a estratégia sueca tinha razão de ser”, escreve um jornalista do The Telegraph num artigo que põe a hipótese de um dia termos de tirar o chapéu àquele país do norte da Europa e reconhecer o seu sucesso.

Em março de 2020, a opção da Suécia por não entrar em confinamento foi descrita como “uma experiência louca” por Marcus Carlsson, da Universidade de Lund. Cecilia Söderberg-Nauclér, do Instituto Karolinska da Suécia, acusou o governo e previu que o sistema de saúde entraria em colapso a menos que decretasse o confinamento obrigatório. O modelo previa um aumento exponencial de infeções.

Com metade da humanidade trancada em casa, as fotos dos suecos a socializar em bares e restaurantes pareciam vindas de outra dimensão. Apesar de ter proibido ajuntamentos de pessoas superiores a 50, a vida continuava normalmente. Crianças com menos de 16 anos foram para a escola. Ninguém usava máscara.

Como na maioria dos outros países europeus, a Suécia viu um pico nas mortes por COVID-19 na primeira quinzena de abril, seguido por um declínio constante. O número diário de mortes raramente excede dois dígitos e está abaixo de 30 desde meados de junho. Tal como na Grã-Bretanha, metade das mortes aconteceu em casas de repouso e dois terços dos que morreram tinham 80 anos ou mais.

O objetivo do confinamento já não é proteger os sistemas de saúde, mas impedir a morte a qualquer custo. A Nova Zelândia conseguiu erradicar o vírus por enquanto, mas à custa de ter acabado com a sua maior indústria de exportação, o turismo, que sustenta 10% da sua economia e 14% da sua força de trabalho. Isolado do resto do mundo, o país espera por uma vacina que ninguém, sabe quando e se chegará.

Se há alguma esperança em podermos evitar uma segunda vaga do vírus essa reside nas tecnologias que fazem o rastreamento de contactos – o sistema inglês NHS Test and Trace não deve estar pronto no verão e talvez nem mesmo no inverno.


Mas o pior de tudo é o medo que o público tem de sair de casa. No dia em que os restaurantes e pubs abriram no Reino Unido, apenas 5% foram ao pub nesse fim de semana. Uma pesquisa recente descobriu que apenas 21% das pessoas se sentem confortáveis a ir ao restaurante.

E quanto aos números da Economia? A Suécia não sairá ilesa da recessão global. Espera-se que o seu PIB caia 5,3% este ano. Na Zona Euro o PIB deverá cair 8,7%, na Grã-Bretanha 9,7%, e mais de 10% em Itália, França e Espanha. “Se tivermos uma vacina a entrar em produção no outono, os suecos parecerão negligentes, mas isso não vai acontecer e o pior é que o Inverno está à porta”, diz Christopher Snowdon no seu artigo de opinião para aquele jornal inglês, defendendo que se a medida “imunidade de rebanho” os ajudar a evitar uma segunda onda, a abordagem sueca prova a sua validade.”

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