SingularityU: O plano para humanizar o trabalho remoto dos nativos digitais

Hoje, mais do que nunca, é importante saber humanizar o trabalho remoto, em especial os teletrabalhadores da Geração Z ou a chamada geração dos “nativos digitais”, aqueles que nasceram entre a segunda metade dos anos 1990 e o início do ano 2010 e que, segundo Sabine Seymour, professora na Singularity University Portugal, representam 40% da população mundial.

Durante o live webinar “9 to 5 Makes Us Sick – Literally – a new paradigm for work”, promovido esta semana pela escola de negócios da Universidade Nova de Lisboa, a Nova SBE, a especialista em saúde e data explicou que os empregadores desta geração que veio a seguir à Geração Y ou Milénio devem ter, antes de mais, “inteligência emocional para saberem ouvir a Geração Z sem julgamentos.”

Estamos perante uma população que valoriza o trabalho interdisciplinar desde que tenha um propósito e produza impacto, mais do que um título ou as credenciais que uma “escola com nome” possa dar.

Do ponto de vista das empresas, há interesse em empregar esta geração, continua Sabine Seymour, porque são empreendedores naturais, preocupados com o fazer acontecer e a eficiência. “Ao contrário do que se pensa, não são pessoas preguiçosas, mas autoconfiantes”, cujo interesse está centrado na criação de novos produtos e modelos de negócios. E fazem-no de uma forma integradora de diferentes perspetivas e disciplinas e ainda de forma global, ligando o que for necessário, independentemente da geografia, fuso horário ou classe social. Têm ainda a habilidade de saber gerir vários projetos ao mesmo tempo.

“Esta é a primeira geração que viveu duas fortes crises separadas apenas por pouco mais de uma década: a crise financeira de 2008 e a crise pandémica que estamos a viver hoje em 2020. Este fato “deve mexer muito com as pessoas”, pressupõe a palestrante a partir do seu confinamento na Áustria.

Etiqueta do teletrabalho

As empresas para serem bem-sucedidas a tirarem o melhor partido da Geração Z devem ser muito claras a definir objetivos, tarefas e deadlines. Uma boa prática é definir que todos os dias à mesma hora está marcada uma reunião, por exemplo, que deve ser o mais eficiente possível na gestão do tempo.

E que as paragens devem ser de meia em meia hora- no máximo com rondas de trabalho de 45 minutos – e nunca estar sentado ao computador uma hora inteira, defende a também empreendedora e trabalhadora remota desde o início da internet na década de 90 do século passado.

Outra condição é garantir o equilíbrio entre a vida profissional e privada. Também a legislação de base ao trabalho remoto é importante de modo a protegermos os trabalhadores freelancers na sua flexibilidade.

Para atrair e reter talento desta geração tudo tem de ser mobile, alerta a professora daquela comunidade futurista que resultou de uma joint venture entre a Beta-i, Câmara Municipal de Cascais e a Nova School of Business and Economics.

É aqui que entram as ferramentas para trabalho remoto, como a Microsoft Teams para reuniões online; o Zoom; o Trello e o Evernote para organizar e priorizar as tarefas e projetos, bem como o Jira, um software de gestão de projetos através da metodologia Agile.

Para trabalhar em equipa, Sabine Seymour fez referência à Confluence e à Houseparty como rede social que permite conversas em vídeo entre amigos.

Texto Maria João Alexandre

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