Sobreviver à disrupção digital: adquirir alternativas

Todos os conselhos diretivos deveriam perguntar à equipa executiva como prevêem responder à disrupção digital. Mesmo que a empresa não esteja a enfrentar uma disrupção nesse momento, certamente estará nessa situação em breve. Deixar o problema ao acaso ou simplesmente seguir em frente com o status quo não representa uma alternativa viável.

O que queremos dizer quando falamos de disrupção digital? Simplesmente isto: os concorrentes têm acesso a mais velocidade, novas tecnologias, dados e novos modelos de negócio. Ao mesmo tempo, os clientes estão a mudar as preferências e as expectativas. Como resultado, a dinâmica dos setores está a alterar rapidamente, ou está prestes a fazê-lo, e vai continuar a mudar, a um ritmo mais rápido do que estamos habituados.

Por que nos devemos preocupar? Porque cada uma destas mudanças representa não apenas um potencial perigo para a empresa, mas também uma oportunidade. Se as preferências dos clientes estão a mudar, devemos entendê-los mais rapidamente que os nossos concorrentes e mudar os nossos produtos em conformidade. Se os clientes desejam mais interação digital, devemos superar os nossos concorrentes, proporcionando melhores interações digitais.

Como empresa já estabelecida, provavelmente fez um bom trabalho de preparação, para fazer o mesmo que ontem e fazê-lo bem. As empresas estabelecidas vão ter de abandonar algumas das coisas que estão habituadas a fazer se quiserem ser capazes de mudar rapidamente no futuro. Este processo de criação e destruição é o que todos se referem ao falar de transformação digital. E é difícil.

Para sobreviver à disrupção digital, só precisa de uma coisa: agilidade. A agilidade, segundo a minha definição, é a capacidade de perceber mudanças no mercado às quais devemos responder; dar rapidamente respostas inovadoras; testar possíveis respostas para selecionar e refinar a mais correta e lançá-la rapidamente no mercado. Por outras palavras, devemos garantir que a mudança é económica, rápida e de baixo risco, para que seja algo que possamos fazer repetidamente.

Se a empresa é como as demais, existem vários elementos que limitam a agilidade. O negócio está otimizado para a estabilidade, mas precisa mudar. Com base na minha experiência de trabalho com clientes da Amazon Web Services (AWS), posso assegurar que a nuvem representa o aliado perfeito para esta missão.

Acostumámo-nos a iniciativas tecnológicas que exigem vários anos, excedem o orçamento e são concluídas fora do prazo. De todos os investimentos que podemos fazer, o software é o mais rápido e o menos arriscado. Ao contrário da construção de uma fábrica, a criação de software não envolve grandes investimentos iniciais. De facto, graças à nuvem da AWS, podemos começar a usar novas tecnologias, como machine learning, analytics ou realidade aumentada em alguns minutos, ao adquiri-los na nuvem. Até o hardware tornou-se rápido, acessível e de baixo risco.

Por isso, é algo surpreendente quando as iniciativas de TI impedem as empresas de obter a agilidade necessária para sobreviver à disrupção. Talvez seja menos surpreendente se nos lembrarmos que os sistemas informáticos, utilizados pelas empresas, têm várias décadas, e baseiam-se em tecnologias antigas, que foram corrigidas ao longo dos anos, à medida que se aplicavam mudanças incrementais, com o objetivo de acompanhar o ritmo da mudança das necessidades de negócio.

Existem algumas razões mais subtis pelas quais a tecnologia tende a ser o fator limitante da agilidade organizacional. A primeira é que, tradicionalmente, as empresas organizavam as suas iniciativas de TI sob a forma de projetos monolíticos e, depois, dado que os projetos eram tão grandes e arriscados, estabeleciam processos de governação, supervisão e gestão de projetos de grande dimensão.

Uma segunda razão pela qual a tecnologia pode limitar a agilidade é que até agora, esta nunca foi de grande valor por si própria. O business case para justificar a agilidade sempre foi difícil de estabelecer, pois representa um esforço em ser capaz de fazer investimentos futuros a baixo custo, com pouco risco e com alta velocidade. Após muitos anos de pressão nos orçamentos de TI, a agilidade é a fonte de valor que provavelmente mais sofreu.

Hoje, a agilidade técnica está amplamente disponível. Agora há acesso à nuvem, com metodologias bem estabelecidas, como DevOps, várias opções de código aberto e programas que podem ajudá-lo a libertar-se das relações com fornecedores que limitam a sua agilidade. É muito provável que o retorno de um investimento reduzido em agilidade seja impressionante.

Agilidade técnica é uma coisa, mas ainda precisamos criar agilidade no negócio, ajustando a forma como gerimos os business cases e a governação de TI – ou seja, a nossa capacidade de alocar recursos de forma rápida e flexível para responder aos eventos do mercado. Como podemos sobreviver à disrupção? Existe apenas uma forma: com maior agilidade.


Por Mark Schwartz, Enterprise Strategist na Amazon Web Services

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