Soft skills versus robôs, quem vence esta batalha?

O mundo encontra-se atualmente a dar os primeiros passos da “quarta revolução industrial”. Esta revolução industrial vai mudar, sem dúvida alguma, a forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos uns com os outros, impulsionados pela convergência do mundo físico, do mundo digital e dos seres humanos.

Poderíamos supor que já estamos habituados a este tipo de revoluções, até porque já passámos por três delas – a primeira revolução que teve início no seculo XVIII quando a força motriz do trabalho deixou de depender da força física do homem e do poder dos animais para o poder mecanizado; a segunda revolução que ocorreu nos finais do século XIX e início do século XX, com a produção em massa; e a terceira revolução ao longo do último meio século com os computadores a abrirem espaço para o mundo digital –, mas não! Todas foram diferentes e tiveram impactos diferentes.

Um dos impactos que nos preocupa com a revolução 4.0 é se os nossos trabalhos/empregos vão continuar a ser nossos, ou se, pelo contrário, os robôs vão-nos poder substituir. Que habilidades/competências serão necessárias na revolução 4.0? Se prestarmos atenção, verificamos que as três primeiras revoluções industriais, sem dúvida alguma, tiveram influência no trabalho, bem como na sociedade. Se pensarmos a título ilustrativo na agricultura, verificamos que a quantidade de pessoas que se dedicava ao setor primário na primeira e segunda revolução industrial é completamente distinta da que se dedica agora.

O andamento da digitalização, da inteligência artificial, da robótica, da realidade aumentada e da automação vão impor, ou já estão a impor, novas regras no mercado de trabalho.

De acordo com o World Economic Forum, no ano 2020 (que está mesmo aí!), o top 5 das competências mais valorizadas no mercado de trabalho serão a resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas e capacidade em se coordenar com os outros.

Parece-nos que, apesar de tudo, na revolução 4.0 vale a pena apostar nas soft skills (que estão associadas às habilidades emocionais e mentais). Empregos que requeiram uso, por exemplo, da matemática podem facilmente ser automatizados, enquanto que empregos que valorizem as aptidões humanas e sociais, à partida, estarão mais protegidos. Embora possamos ensinar aos robôs as emoções humanas, não há padrões para as emoções e assim as máquinas terão sérios problemas em imitar a capacidade natural dos instintos básicos dos seres humanos.

Quero crer que no futuro, ainda que incerto, o papel do homem será sempre primordial. Se se têm de tomar precauções com os avanços da/na inteligência artificial? Claro que sim, nem que sejam os de ordem ética e moral. Mas se vale a pena apostar, no futuro, nas soft skills? Sem dúvida alguma!

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos

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