«Soluções para o Ambiente são a nova “bomba atómica” que devemos desenvolver», alerta Pedro Matias


O discurso de Pedro Matias é de uma determinação desarmante. É prático, articulado e sabe que tem nas mãos um verdadeiro “porta aviões”, que deve ser manobrado com especial cuidado, já que é responsável por um vasto conjunto de matérias que se cruzam com as questões do desenvolvimento sustentável.

O ISQ, empresa portuguesa que fornece serviços de engenharia, inspeção, ensaios, testes e capacitação, assume um papel de liderança e de atenção com os grandes problemas do Planeta. Tem investido, e muito, no desenvolvimento de soluções que possibilitem uma indústria mais responsável, uma economia mais “verde” e que as empresas possam adotar soluções reais e inovadoras nas suas estratégias de desenvolvimento sustentável. «Nos dias de hoje, não basta querer ser “verde”. É preciso ser verdadeiramente consequente», explica.

Pedro é o timoneiro há quatro anos de uma empresa que toca em várias áreas, a mesma que fez chegar, em fevereiro, engenharia inovadora a Marte dentro do Perseverance da NASA. Presente em 14 países e com sete escritórios em Portugal, tem vindo a desenvolver soluções integradas à medida dos seus clientes em projetos promissores da agricultura ao aeroespacial, passando pela indústria e cidades sustentáveis.

O ISQ aderiu aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e, através dos seus serviços, promove uma cultura consciente e proativa. Mas o foco na Sustentabilidade já vem de outras décadas, corria o ano 2002, quando integrava como membro fundador do Centro para a Prevenção da Poluição. Seis anos depois, funda a Rede Nacional de Responsabilidade Social (RS), a 1.ª rede em Portugal a promover a RS e a Sustentabilidade como ferramentas de gestão nas empresas e no Estado. De lá para cá, assina a Carta Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, adere ao Movimento Unidos Contra o Desperdício, subscreve o Compromisso Lisboa Capital Verde Europeia 2020 – Ação Climática Lisboa 2030 e integra o EIT Climat-Kic-Up Portugal.

Apoiando clientes e parceiros através de vários serviços que presta e que passam pela avaliação do ciclo de vida, declaração ambiental de produto, planos de redução de pegada de carbono, estudos de contaminação dos solos, controlo da qualidade alimentar, eficiência energética, eficiência hídrica, sustentabilidade dos edifícios. Desenvolvem projetos que definem a estratégia para a adaptação às alterações climáticas de algumas regiões do globo, participam ainda em projetos de gestão do risco que permitem ajudar à mitigação das alterações climáticas, através de parcerias com outros polos tecnológicos e universidades. Na prática, o ISQ apoia entidades na gestão e poupança de recursos energéticos, humanos e financeiros em todos os setores em que atua: Transportes, Indústria, Turismo, Saúde, Administração Pública, Energia, Espaço e Agricultura. E é seguramente a entidade nacional com maior número de projetos, sobretudo em Sustentabilidade Industrial e Ecoeficiência, relacionados com o programa Horizonte 2020.

Em conversa com a Líder, Pedro esclarece-nos ainda sobre como, entende que, deveria ser reconvertido o papel da Organização das Nações Unidas.

Como é que conseguimos sacudir consciências coletivas e predispor-nos a fazer alguns sacrifícios no presente a fim de evitar cataclismos naturais?
Temos de pensar que todas as nossas ações contam. Todas, sobretudo as pequenas e tomadas a nível individual. Em termos globais e políticos as Nações Unidas precisam de ser, nos dias de hoje, o detonador da implementação de reais políticas de desenvolvimento sustentável. O papel que tiveram no século passado, de paz e de apaziguamento das nações, deve hoje ser reconvertido para um papel de liderança e de atenção para os grandes problemas do Planeta: a fome, a desertificação, as alterações climáticas, os migrantes… A questão das soluções para o ambiente e para o desenvolvimento sustentável são a nova “bomba atómica” que devemos desenvolver. Assim como vários países investiram milhões de dólares no desenvolvimento de armamento pesado e no poderio nuclear, devem hoje apostar no desenvolvimento tecnológico que permita termos um mundo melhor e uma economia e sociedade mais amigas do ambiente. A indústria, em sentido lato, tem aqui um papel crucial, pois é um dos grandes responsáveis por um vasto conjunto de matérias que se cruzam com as questões do desenvolvimento sustentável. Por isso, no ISQ, temos investido muito no desenvolvimento de soluções que possibilitem uma indústria mais responsável, uma economia mais “verde” e que as empresas possam adotar soluções reais e inovadoras nas suas estratégias de desenvolvimento sustentável. Nos dias de hoje, não basta querer ser “verde”. É preciso ser verdadeiramente consequente.

As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Qual é o compromisso da sua empresa perante os ODS?
O ISQ aderiu aos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e, através dos seus serviços, promove uma cultura consciente e proativa. Mas o nosso foco na sustentabilidade já vem de longa data. Fomos membro fundador do Centro para a prevenção da poluição em 2002 e, seis anos depois, fundámos a Rede Nacional de Responsabilidade Social, a 1.ª rede nacional para a promoção da responsabilidade social e sustentabilidade como ferramentas de gestão nas empresas e no Estado. De salientar ainda a assinatura, em 2019, da Carta Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, documento que determina as linhas para assegurar uma gestão que tenha o desenvolvimento responsável por base.  Fizemos parte, durante anos, de projetos com multilaterais que promoviam a cooperação e o desenvolvimento sustentável dos países onde se inseriam. Aderimos ao Movimento Unidos Contra o Desperdício, um movimento cívico que pretende tornar habitual o aproveitamento de excedentes, alertar para perdas e desperdícios, incentivar e facilitar a doação das sobras e promover o consumo responsável. Desta forma, o ISQ compromete-se a adotar medidas que permitam a efetiva redução do desperdício alimentar nos vários estádios em que este é produzido. De realçar ainda que o ISQ subscreveu o Compromisso Lisboa Capital Verde Europeia 2020 – Ação Climática Lisboa 2030. Integramos ainda o EIT Climat-Kic-Up Portugal.

A Ação Climática é assim uma prioridade.
É determinante. Já participamos em projetos que definem a estratégia para a adaptação às alterações climáticas de algumas regiões do globo. Em breve teremos novidades para apresentar nesta matéria. Participamos ainda em projetos de gestão do risco que permitem ajudar à mitigação das alterações climáticas.
O ISQ apoia as entidades na gestão e poupança de recursos energéticos, humanos e financeiros em todos os setores em que atua: transportes, indústria, turismo, saúde, administração pública, energia, espaço e agricultura.

Quais são as ambições em concreto?
Cada vez mais participamos em projetos que visam a mitigação das alterações climáticas, quer a nível nacional quer internacional, através de parcerias com outros polos tecnológicos e universidades.
Aplicando sempre os valores da sustentabilidade nos seus serviços e no desenvolvimento de tecnologias, produtos e processos novos, o ISQ procura garantir a eficiência energética, a proteção ambiental, a otimização de recursos e a segurança de pessoas e equipamentos. A estratégia do ISQ assenta, sobretudo, no compromisso com as pessoas e na aposta em inovação, investigação e tecnologia, para ajudar ao desenvolvimento económico de todos os países em que está presente e a atingir as metas de sustentabilidade mundiais.

Vai ser necessário reinventar modelos de negócios? Quais são as mudanças que terão de ser implementadas?
Claro.  A formação das pessoas e a inovação vão estar no centro de todos os processos. As empresas têm de colocar o tema do desenvolvimento sustentável no topo da agenda estratégica empresarial. Os clientes e stakeholders vão sendo cada vez mais atentos e exigentes com o comportamento das empresas onde compram ou buscam serviços. Quem não respeita estas boas práticas está fora do mercado….

Que métricas já foram alcançadas?
Alguns exemplos no ISQ: instalação de iluminação LED nos edifícios, instalação de painéis fotovoltaicos nos edifícios, instalação de sistemas de gestão técnica, ilhas de calor urbano, aposta em frota de veículos elétricos, aumento do número de carregadores elétricos, estacionamento para parceiros que usem veículos mais ecológicos, instalação de equipamento e dispositivos redutores de água, eliminação de plásticos de utilização única, promoção da aquisição de materiais e produtos sustentáveis certificados, de baixo carbono e sempre que possível de origem local, permitir acesso aos edifícios para pessoas com mobilidade reduzida. Enfim, é um admirável Mundo novo a que temos de corresponder com criatividade e inovação.

Em que ponto está o vosso setor nesta matéria?
Está numa fase de evolução e de adaptação. O ODS 9 é aquele em que mais investimos. Infraestruturas resilientes, industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação, que está no ADN do ISQ.

Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
Somos uma empresa com muitos anos de história e áreas de inovação e para podermos continuar a crescer com equilíbrio e respeitando as gerações vindouras, criando valor, a vertente da sustentabilidade é incontornável. Afinal, a indústria, em sentido lato, tem um papel crucial.

Como é vista a empresa em Portugal à luz da Sustentabilidade?
O ISQ orgulha-se de ser seguramente a entidade nacional com maior número de projetos, sobretudo em sustentabilidade industrial e ecoeficiência, relacionados com o programa Horizonte 2020.

Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
O desenvolvimento sustentável deve ser, por definição, transversal a toda a organização, mas por exemplo a nossa Direção de I&D e Inovação e algumas equipas internas nestas matérias têm especial atenção a este foco.

Quais são agora os próximos passos?
Estamos a olhar para a sustentabilidade de forma transversal, por forma a estarmos todos alinhados com os princípios dos ODS. A próxima “revolução” é sempre a “revolução cultural”.

E quais as prioridades desta área?
Verde, Ecológico, Sustentável… obviamente que o desenvolvimento e implementação de políticas de neutralidade carbónica são deveras importantes, embora saibamos que são complexas e implicam investimentos fortes.

Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso dos clientes nesta matéria?
Várias. Apoiamos os nossos clientes e parceiros através de vários serviços que prestamos e que passam por: avaliação do ciclo de vida, declaração ambiental de produto, planos de redução de pegada de carbono, estudos de contaminação dos solos, controlo da qualidade alimentar, eficiência energética, eficiência hídrica, sustentabilidade dos edifícios.
No fundo, ao logo dos anos, o ISQ foi desenvolvendo a sua atividade tendo sempre presente a inovação sustentável nas diferentes soluções que disponibiliza aos clientes. Hoje são vários os departamentos do ISQ que oferecem serviços na área da sustentabilidade, caso de: ensaios e análises, capacitação, inovação, inspeções, serviços regulamentares.
Pelo seu histórico e experiência, o ISQ é reconhecido pelos seus pares como um parceiro técnico de referência e confiança.

Pode partilhar algumas recomendações para tornar as empresas e os negócios sustentáveis?
A sociedade, as cidades e os negócios estão a mudar. É inevitável que atualmente todos sejamos conscientes em matérias ambientais, sociais e de sustentabilidade. Para isto é necessário que haja competências e uma nova cultura a acompanhar, tanto em relação à população em geral como aos trabalhadores, gestores de empresas e governantes políticos. Quem não se adaptar não sobreviverá nos negócios e nas cadeias de valor. Está em causa uma mudança digital e tecnológica que envolva todos os stakeholders da organização. É preciso estabelecer metas e indicadores, definir planos de ação e reportar publicamente essas metas, seguindo uma política de transparência.
Hoje gerir uma empresa de forma sustentável já não é apenas uma opção, é um dever.
Para enfrentar o desafio da sustentabilidade, mas também da eficiência e da competitividade, as empresas e as organizações encontram resposta na economia circular, na eficiência energética e na descarbonização, mediante a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis.

Por TitiAna Amorim Barroso

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