A tecnologia acelera, as estruturas transformam-se, as carreiras alongam-se e é a Condição Humana que emerge como o verdadeiro centro da liderança. Para esta edição da Revista Líder lançamos um desafio ao nosso grupo de conselheiros: escrever uma Carta ao CEO do Futuro. Que conselhos deixariam aos líderes que hoje estão a formar-se? Que alertas fariam? Que valores defenderiam de forma inegociável? Que capacidades humanas serão críticas?
Caro CEO do futuro,
Quando assumires esse lugar, vais receber muitos relatórios, muitos dados e muitas opiniões sobre o que deves fazer, mas há uma carta que provavelmente ninguém te vai escrever, esta. Talvez já tenhas dashboards mais sofisticados, IA em muitas decisões e dados em tempo real sobre quase tudo. Ainda assim, deixa-me deixar-te cinco recomendações simples, que foram nascendo da minha experiência de vida.
Primeiro.
Nenhuma organização é melhor do que o nível de consciência das pessoas que a lideram. Durante décadas ensinámos líderes a optimizar processos, acelerar crescimento e reduzir custos. Mas esquecemo-nos de algo essencial: empresas são sistemas humanos.
Segundo.
Não confundas performance com valor humano.
Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem. Pode gerar lucro e produzir medo, ansiedade e silêncio. Quando isso acontece, algo essencial foi perdido.
Terceiro.
Questiona aquilo que medes. Durante décadas medimos produtividade, crescimento e quota de mercado. Tudo importante. Mas insuficiente.
O verdadeiro desafio da tua geração será aprender a medir o que verdadeiramente importa: confiança, segurança psicológica, qualidade das relações, capacidade de aprender com o erro e impacto real na vida das pessoas.
Porque aquilo que escolhemos medir revela aquilo que realmente valorizamos.
Quarto.
Há valores que não podem ser negociados: dignidade humana, verdade, equidade e coragem. Ahhh, Coragem. Liderar é tomar decisões difíceis quando seria mais confortável não o fazer. E Kindness. Não como ingenuidade, mas como uma escolha estrutural. A bondade cria ambientes onde as pessoas podem pensar melhor, colaborar melhor e ousar mais.
Quinto.
Desenvolve capacidades que nenhuma tecnologia pode substituir: autoconsciência, escuta profunda, pensamento sistémico e a capacidade de criar significado.
As pessoas não procuram apenas emprego. Procuram sentir que o seu tempo e talento contribuem para algo que vale a pena. Um propósito para o qual acordar todos os dias.
No final, lembra-te disto: Liderar nunca foi apenas gerir recursos. Liderar é cuidar de pessoas.
E cada decisão que tomas ajuda a definir o tipo de sociedade em que todos vamos viver.
Com fé e esperança no futuro que vais ajudar a criar.
Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.
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Elsa Carvalho: «o futuro não precisará tanto de líderes brilhantes quanto de líderes lúcidos»
Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

