“Tem havido muita atividade criminal do mundo real na internet”

As organizações criminosas estão a adaptar o seu modo de atuação para aproveitarem a crise pandémica. A grande procura de certos bens, como equipamento de proteção individual e produtos farmacêuticos, tem propiciado várias fraudes.

Entre as ameaças está a venda de bens contrafeitos e o cibercrime, nova forma que os grupos de crime organizado têm de desenvolverem os seus ataques – neste caso através da Internet. “Tem havido muita atividade criminal do mundo real na internet”, disse esta semana o orador e jornalista Misha Glenny, em mais um webinar do think tank House of Beautiful Business.

Um caso recente de ciberataque foi o do dia 12 de março ao Hospital Universitário de Brno, na República Checa. O incidente levou o hospital a adiar cirurgias urgentes e a redirecionar novos pacientes graves para um hospital alternativo. Foi forçado a desligar todo o sistema informático e dois outros hospitais filiais também foram afetados.

Mas um dos crimes mais valiosos na internet é o Business Email Compromise, partilhou o especialista em geopolítica, crime organizado e cibersegurança. Trata-se de um tipo de ataque sofisticado dirigido a empresas que realizam transferências bancárias eletrónicas. Os cibercriminosos fazem-se passar por um alto cargo da empresa, CEO ou diretor financeiro, por exemplo, e, usando a aparência visual do correio eletrónico corporativo, pedem aos empregados para fazerem uma transferência para determinada conta bancária.

“O problema do cibercrime é que é difícil identificar quem está a atacar e quais as suas motivações”, disse. Pode ser um grupo de hackers, um grupo ativista político ou uma pessoa com um cargo no Estado.

Se o canal e os ataques são diferentes no cibercrime, já a forma dos grupos se organizarem é semelhante à das células criminosas tradicionais. Os grupos que atacam a segurança informática não descuram a eficiência da organização por áreas: recrutamento, lavagem de dinheiro, controlo e comando, exemplifica o estudioso destes temas.

Misha Glenny tem seis bestsellers publicados, entre eles “McMafia: Seriously Organised Crime”, que deu origem a um programa de televisão na BBC; “DarkMarket: How Hackers Became the New Mafia”; e “The Balkans: Nationalism, War and the Great Powers”.

“O problema é que não temos uma regulação internacional da internet” e o cibercrime já é uma quarta força, defende, com a pandemia em primeiro lugar, seguida do aquecimento global e das armas de destruição massiva.

O que podemos fazer para garantir a segurança dos sistemas informáticos? Para começar, Glenny sugere que o sistema de educação prepare cada vez mais engenheiros de cibersegurança e, para terminar, deixa a questão: como vamos desenvolver a próxima geração da infraestrutura tecnológica?

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