«Temos de fazer mais com o que a natureza nos dá», diz Gunter Pauli

O especialista em Sustentabilidade e autor de “The Blue Economy”, Gunter Pauli, esteve presencialmente no palco da Planetiers, em Lisboa, evento sobre inovação sustentável, para levar as pessoas a saírem das suas zonas de conforto e agirem.


Gunter Pauli é um inovador que traduz ideias em modelos de negócios operacionais. Procura oportunidades para trabalhar com recursos locais e assim desenvolver projetos competitivos e inovadores. Defende a economia circular e o desperdício zero através de investimentos inovadores em sistemas de upcycling, ou seja, formas de dar mais valor ao desperdício.

“Em 1991, afirmei que as metas Desperdício Zero e Emissões Zero eram um ponto de partida e testei-o no terreno contra as principais multinacionais. Agora, essas são partes óbvias do novo modelo de negócios que servirá a natureza e o bem comum”, disse aquele que também é conhecido como “Steve Jobs da Sustentabilidade”.

Em 1994, fundou a Zeri – Zero Emissions Research and Initiatives com base num programa da ONU para desenvolver projetos de economia social e ecológica inspirados na natureza, com todos os projetos a serem de código aberto para facilitar a replicação dos modelos.

Na sua opinião, temos de mudar os modelos de negócios, não podemos gerir competindo com economias de escala, com preços baixos, porque dessa forma não é possível proteger o ambiente nem os trabalhadores. “Precisamos de fazer upcycling dos materiais, dar-lhes mais valor”. Por exemplo, transformar o vidro das garrafas, que está no final do ciclo de vida, em material de construção.

O seu conceito de Blue Economy implica criatividade, geração de empregos e de valor. Implica criar novas regras para competir no mercado através de criação de mais valor com o que já existe- e para isso “precisamos da inspiração de imensas pessoas.” Sendo assim, como podemos fazer emergir o espírito empreendedor? O grande desafio que temos à nossa frente, diz, é que temos treinado as pessoas a não correr riscos – a educação acabou com a espontaneidade. “Para fazer nascer o espírito empreendedor, primeiro temos de procurar a criança que há em nós.”

“Se alguém me diz que é impossível eu faço”, exclama o autor, que é um dos fundadores da Economia Circular. “Não podemos pedir à natureza para produzir mais, temos de fazer mais com o que natureza nos dá”, destaca. “Trata-se de olhar para o antigo e inovar sobre isso”.

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